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Fundos geridos pelos computadores estão em alta com a volatilidade do mercado

A máquina pode superar o homem. É esse o lema dos fundos geridos por computadores. Conhecidos como fundos quantitativos, eles buscam distorções entre os ativos para realizar inúmeras operações de compra e venda de ações em pouco tempo. São exemplos do racional sobre o emocional, ou seja, um papel só entra ou sai da carteira se houver motivos lógicos.

Nos mercados europeu e americano, o volume negociado eletronicamente chega a 70% das transações diárias, segundo o Aite Group. No Brasil, menos de 10% dos negócios na BM&FBovespa saem desses complexos instrumentos. Mas esse cenário está mudando. Com a volatilidade das bolsas mundiais, oito diferentes gestoras brasileiras entraram nesse mundo dos caçaníqueis recentemente.

Quest, Fram Capital, Kinea, Credit Suisse, Brascan, Santander, Platinum, Oren e até o austríaco Superfund, um dos mais conhecidos globalmente, são os responsáveis pelo aumento da lista dos fundos quantitativos no País. "É uma tendência no Brasil, apesar da concentração de ativos", diz Marcelo Pereira, da TAG Investimentos.

Antes da crise do Lehman Brothers, em setembro de 2008, eram 20 o total de fundos geridos pelo computador. Agora, já são cerca de 30 no País. "O interesse começou no pico da crise porque é com a volatilidade que eles tendem a ter uma boa performance", afirma Leonardo Bortolloto, gerente de multimercados da Risk Office.

A rentabilidade desses fundos está em 150% do CDI contra 85% do CDI dos multimercados, em média, nos 12 meses encerrados em agosto. Para identificar a gestão eletrônica, o nome do fundo normalmente estará com a palavra dinâmico. Todos com essa designação trabalham total ou parcialmente com a estratégia automática.

Mas a máquina não sairá comprando e vendendo qualquer distorção que encontrar pela frente. Os fundos quantitativos também são um espelho das equipes de gestão. "Cada um define se a estratégia será de bolsa, de dólar, outros índices futuros ou todos juntos", diz Bortolloto. O aumento de interessados pelos fundos eletrônicos chamou a atenção da Thomson Reuters.

A fornecedora de tecnologia e serviços para esse tipo de gestão lançou um sistema que insere um conjunto de dados de texto ao lado dos cálculos matemáticos. "Na comparação com uma mesa de operadores, apenas o sistema eletrônico tem capacidade de identificar e disparar ordens em milésimos de segundo", descreve Ricardo Diniz, diretor-executivo da Thomson Reuters. É o tal negócio: enquanto a ordem automática vai sendo disparada, o gestor pode colocar sua leitura em dia ou tomar um cafezinho

 Márcio Kroehn
Revista ISTOÉ Dinheiro - 28/09/2009





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