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A importância do tempo nos investimentos


Em um momento de mercado como o atual, com uma crise das mais sérias já vividas pelo capitalismo, devemos nos esforçar para lembrar dos princípios fundamentais sobre o processo de investimento eficiente do ponto de vista de risco e retorno. Na teoria de investimentos, sempre soubemos de que o tempo tem papel fundamental. Para montar uma carteira de investimento, o horizonte de investimento está no ponto de partida.

Para buscar um retorno elevado ao longo do tempo, uma carteira precisa correr risco. E, para isso, deve ter um horizonte bastante amplo e bem determinado para acomodar as flutuações inerentes a aplicações mais arriscadas de forma a permitir que o potencial de alta dos ativos possa se materializar.

Esta é a tão falada tendência de alta de longo prazo e não devemos perder de vista suas implicações na hora de investir. Vivemos no passado recente, antes do início de fato da crise com a quebra do banco Lehman Brothers, uma tendência clara de valorização dos ativos de mercado.

A idéia de que a diversificação do investimento em várias classes de ativos possibilita ao investidor aproveitar as oportunidades que o mercado oferece - e ao mesmo tempo proteger de possíveis momentos de estresse - é essencialmente válida para investidores que conhecem não somente o seu perfil de risco e horizonte de investimento, mas também que tenham o chamado "behavior finance", ou seja, na teoria alguns investidores possuem apetite a risco, mas na prática, quando se trata de ganhar, o investidor se considera muito mais arriscado do que quando se trata de perder.

Em períodos como o que vivemos até antes da crise, estratégias de investimentos baseadas na compra e manutenção de ativos de risco (bolsa, risco-país etc.) tiveram como resultado a obtenção de retornos extraordinários para a carteira de investimentos de uma forma geral. Como exemplo, os fundos multimercados surfaram esta onda de bonança e tiveram as maiores captações da sua história.

A dificuldade sempre foi em se preparar para o momento da realização, que está sempre atrelado a uma grande tarefa: simplificar este processo e utilizar várias medidas de risco e retorno também. Vários indicadores são analisados. No entanto, na maioria das vezes, acabamos nos esquecendo de levar em conta um parâmetro que, em conjunto com a nossa tolerância a risco, é essencial: o tempo.

Em primeiro lugar, costuma-se avaliar investimentos em calendário mensal. Este horizonte, que na melhor das hipóteses possui 21 dias úteis, é prejudicial a uma boa análise. Trata-se de um intervalo muito breve e insuficiente para viabilizar os benefícios do tempo sobre as aplicações. Os movimentos mensais são desprezíveis para aplicações que têm objetivo superior a um ano e isso se torna mais insignificante quanto maior o tempo da aplicação. A preocupação com o desempenho mensal gera reações prejudiciais à carteira.

Portanto, um portfólio que corre risco deve ser desenhado com o princípio de que a posição em risco não será liquidada em momentos de baixa. Se uma análise de objetivos, perfil de risco e alocação resultou em uma carteira composta com 10% em ações, o investidor deve ser paciente, disciplinado e permitir que o tempo possa refletir suas virtudes no resultado da carteira. Se a preocupação é preservar e crescer patrimônio consistentemente com o objetivo de conquistar independência financeira, a melhor recomendação que podemos dar ao investidor é: dê tempo ao tempo.

Assim, como deve proceder o investidor pessoa física para evitar incorrer nas armadilhas citadas acima? O investidor bem orientado não deve se deixar influenciar pelo debate referente às tendências de curto prazo dos mercados. Somente quem está liquidando investimentos em determinado dia deve se preocupar com os movimentos diários.

Seja qual for a alocação de ativos, o mercado terá momentos desfavoráveis, ao menos em parte da carteira. Daí a necessidade de um horizonte de tempo que possa acomodar essas flutuações e permitir a recuperação da ocorrência de eventuais perdas. Desta forma, o investidor deve se manter fiel à política de investimentos definida originalmente a partir do seu perfil de risco. E de forma organizada, recompor a alocação inicial em momentos de alta (vendendo) ou baixa (comprando) com o objetivo de rebalancear o portfólio. Três virtudes básicas de um bom investidor são fundamentais: disciplina, paciência e diversificação.

(Colaborou Adilson Ferrarezi, gestor de fundos da HSBC Global Asset Management)
Alcindo Costa Canto é diretor da área de Multimanager da HSBC Global Asset Management

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

 

 





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