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A árdua tarefa de buscar a independência financeira
Um leitor
desta coluna quer conquistar a independência financeira. Ele mora com os pais
em um imóvel próprio. Seu pai ainda possui outro imóvel que está alugado.
"Quero morar sozinho, ou melhor, eu e minha esposa, e conquistar minha
independência financeira e para isso preciso de R$ 100 mil", diz o
leitor. "Estou em dúvida do que fazer", acrescenta. Ele sabe que a
proposta que fizer ao pai será aceita. "Ele vai fazer tudo para me
ajudar", diz o leitor. Mas ele pondera: "Não quero também receber
as coisas sem que tenha um esforço meu", conclui. As opções apresentadas
pelo leitor são:
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Peço que
meu pai venda o imóvel que hoje está alugado, me dê
o dinheiro e, então, começo a pagar a ele uma quantia fixa, sem a cobrança
dos juros, até que venha quitar a dívida?
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Faço a
compra do imóvel que é do meu pai por meio de uma linha de crédito com bancos
a taxa de cerca de 11% ao ano, ele continua
recebendo o aluguel e eu vou pagando as prestações desta linha de crédito e
fico com o dinheiro que ele recebeu?
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Por
último, pensei em pegar um consórcio de uma carta de crédito já contemplada e
continuar pagando o restante.
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"Qual
dessas seria melhor opção?", quer saber o leitor.
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Os analistas
que tiveram acesso a esse caso são unânimes: o melhor passo em direção à
independência financeira é continuar morando com os pais mais alguns anos.
Quando decide sair da casa dos pais ele, na verdade, está indo na direção
oposta da independência financeira. "Quando ele vai morar sozinho, ele
está, na verdade, buscando uma outra independência, mais privacidade, porque
é claro que não é fácil continuar morando com os pais depois de casado",
diz Marco Gazel, sócio da M2 Investimentos, empresa
de consultoria financeira pessoal.
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Sair do
zero para R$ 100 mil não é um caminho trivial e o leitor terá de fazer
esforços. Se for morar sozinho, o esforço financeiro terá de ser maior. Isso
porque terá de assumir uma série de despesas, não é apenas a prestação do apartamento
ou o aluguel do imóvel. Acrescente a essa conta despesas com impostos, luz,
telefone e condomínio, só para ficar nos gastos mensais mais básicos.
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É certo
que morar com a sogra não é uma das opções mais agradáveis. Por isso, é
fundamental traçar uma estratégia que tenha começo meio e fim. Afinal, também
para seus pais, essa não é uma situação confortável. Mas, como o próprio
leitor já disse, o pai vai fazer de tudo para ajudá-lo.
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Então, se
a meta é de fato alcançar a independência financeira, o leitor deve focar seu
trabalho em criar uma carteira de investimento e planejar os aportes mensais
para atingir os R$ 100 mil. Numa simulação feita pelos economistas do Valor,
aplicações mensais de R$ 200
a uma taxa média de retorno de 6% ao ano levará 59
anos para conseguir atingir a meta.
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Para
reduzir esse prazo, é necessário aumentar os aportes ou buscar uma
rentabilidade maior para carteira. Numa carteira com retorno médio de 8% ao
ano o tempo cai para 49 anos. No caso de aportes maiores de R$ 500 a uma taxa de retorno
de 8% ao ano a redução é ainda maior.
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Observe,
contudo, que R$ 100 mil não é sinônimo de independência
financeira para ninguém, por mais espartana que seja sua vida. Mas,
sem dúvida, é um belo colchão financeiro e sair de casa com essa folga em
caixa vai ajudar muito.
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Mas se a
meta é a privacidade, aí sim, as três alternativas apresentadas pelo leitor
devem ser avaliadas. O mais justo para o pai, e que seria de grande valia
para o filho iniciar a vida de casado, seria que ele e a mulher fossem morar
no imóvel que hoje está alugado. Passariam, então, a
pagar um aluguel para o pai e, como ele é generoso, negociaria uma quantia
que permitisse ao novo casal fazer uma poupança mensal com parte do que
pagariam se tivessem de encarar os preços de mercado.
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Qualquer outra alternativa que passe pelos sistemas de crédito
ainda é muito cara no Brasil. Tomar dinheiro emprestado do pai neste momento
é temerário. Primeiro porque não há necessidade, uma vez que há um imóvel que
pode ser locado para o filho. Empréstimos entre pais e filhos têm de ser
feitos com parcimônia e cuidados para não desgastar esse relacionamento.
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Francis
Hesse, planejador financeiro pessoal, diz que sempre orienta seus clientes a
fazer um pequeno contrato nesses casos. O pai pode não cobrar taxas de juro
no empréstimo ou cobrar uma taxa de juro menor do que a de mercado, mas é
fundamental oficializar a operação, segundo Hesse.
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Mara Luquet é editora da revista ValorInveste e autora do livro O Assunto é
Dinheiro, escrito em parceria com o jornalista Carlos Alberto Sardenberg
Valor Econômico
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