Selic muda e passará a admitir investidor
O Sistema
Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) do
Banco Central, que concentra os registros de emissão e transações com títulos
públicos federais, será aberto à participação de pessoas físicas e jurídicas
que poderão, por meio de seus bancos e corretoras, ter conta no sistema e
acompanhar seus investimentos via internet. Além disso, terão portabilidade
da conta, ou seja, podem mudar de instituição financeira levando consigo a
conta, os depósitos e o histórico de movimentação.
Hoje
nada disso é possível. O Selic é um sistema fechado
à participação de instituições financeiras, titulares das contas. São 7.232
participantes registrados, entre bancos, corretoras e distribuidoras de
valores, fundos de investimentos e seguradoras. Pessoas físicas e jurídicas
não financeiras só podem entrar através destas instituições e, se não estão
satisfeitos com o serviço, têm de fechar a conta e rumar para outra
instituição. O acesso à movimentação se dá exclusivamente via participantes
registrados. De acordo com o Departamento de Operações do Mercado Aberto do
Banco Central (Demab), o Selic
tem um estoque de títulos públicos avaliado em R$ 1,9 trilhão, movimenta
10.766 operações diárias num total de R$ 11 bilhões em média em operações
definitivas e R$ 315 bilhões em operações compromissadas (venda com
compromisso de recompra).
A
mudança faz parte de uma reorganização que o BC está promovendo no Selic e foi anunciada ontem pelo diretor do Demab, João Henrique de Paula Freitas Simão. Batizado de
"Novo Cadastro", o programa de redesenho do sistema começou há
cerca de quatro anos, entrou em testes no primeiro semestre e deve estar
concluído até o fim do segundo trimestre de 2010.
As
contas diretas de investidores institucionais (fundos de investimentos e
seguradoras) serão encerradas e eles passam a relacionar-se com o Selic através dos bancos, corretoras e distribuidoras.
Com isso, o número de participantes vai baixar a aproximadamente um terço,
estimou Freitas Simão, que apresentou as mudanças ontem no seminário de
comemoração dos 30 anos do Selic, realizado na sede
do BC no Rio. Em compensação, estes investidores poderão também ter contas
individualizadas para cada produto (carteiras de ações ou renda fixa que
aplicam parte dos recursos em títulos públicos), segundo ele, uma antiga
demanda do mercado. "Vai representar enxugamento de custos, agilidade e
mais segurança para as instituições", disse Freitas Simão. Segundo ele,
o BC quer restringir o controle das operações no Selic
ao universo de instituições que fiscaliza mais diretamente. Não é o caso dos
fundos de investimentos, que são fiscalizados pela Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), e as seguradoras, pela Superintendência de Seguros
Privados (Susep).
Freitas
Simão explicou que o acesso de pessoas físicas e jurídicas não financeiras ao
Selic não vai popularizá-lo. Trata-se de um sistema
voltado para grandes investidores, principalmente os estrangeiros não
residentes que compram títulos públicos no Brasil, mas querem ter acesso
direto aos seus investimentos via internet. "Vai haver um custo (a ser
pago pelos investidores) que estamos estudando junto com os bancos, mas ainda
não está definido". A ideia, diz Freitas
Simão, é beneficiar também os bancos pequenos e médios que hoje não têm
recursos para manter contas individualizadas no Selic.
Valor Econômico -
17/11/2009
Autor(es): Janes Rocha
http://clippingmp.planejamento.gov.br/