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No Dia da Criança, além do presente tradicional, os pais podem começar a dar a seus filhos algo diferente neste ano: educação financeira. Não pense que trata-se de um exagero. Psicólogos alertam que crianças que aprendem a lidar com dinheiro desde pequenas tornam-se adultos disciplinados com suas finanças. "A educação financeira ensina às crianças responsabilidade e planejamento, ferramentas fundamentais para viver em nossa sociedade. Além disso, através do aprendizado financeiro, é possível ensinar também valores éticos" explica a psicóloga Lúcia Cristina Zanella, do Hospital das Clínicas de São Paulo
Em cada fase da vida de seus filhos, os pais devem ensinar conceitos como planejamento, poupança, noções de valor (como caro e barato) e a importância de ter uma reserva de recursos para situações inesperadas. Para lhe ajudar nessa tarefa, o ONNEWS conversou longamente com a psicóloga Lúcia Cristina Zanella que sugeriu os conceitos financeiros que devem ser ensinados às crianças durante seu crescimento. Aprenda com ela:
- Crianças gostam muito de cofres. Usá-los para dar aos pequenos as primeiras noções de poupança e planejamento é uma excelente idéia. Aqui dá para ensinar um conceito importantíssimo: só com poupança pode-se atingir um objetivo. Que nesse caso pode ser comprar um sorvete ou um brinquedo novo.
- Outra lição a ser tirada da utilização do cofrinho: ter independência para realizar seus desejos.
- O interessante é notar que muitas crianças até desistem de seu objetivo. Preferem manter o cofrinho cheio de moedas, a quebrá-lo.
- Lembre-se: o modelo dos pais é fundamental. Não adianta dizer que a criança deve poupar e agir como um "gastão". Crianças têm grande parte do seu comportamento influenciado pela imitação. O primeiro e maior exemplo são os pais.
- A idéia de posse e propriedade é complexa para as crianças em idade pré-escolar. Nessa fase da vida, elas acreditam que tudo é delas. Devolver ao dono um objeto perdido, por exemplo, é uma atitude louvável dos pais e que deve ser acompanhada pelas crianças. Elas aprendem que não há valor em ter algo à custa do prejuízo do outro.
- A partir de cinco anos de idade, é possível ensinar noções de valor aos pequenos, como caro e barato, além da idéia de preservação dos bens.
- Nessa fase da vida, eles podem compreender que os pais trabalham e, em troca, recebem dinheiro -- que é usado para adquirir aquilo que a família precisa para viver.
- Por volta dos sete anos, quando a criança aprende a contar já é possível começar a dar uma mesada semanal.
- Mas atenção às quantidades. Uma criança desta idade sabe fazer contas simples, envolvendo valores pequenos, como 2+2 ou 2+3.
- O valor da semanada deve ser pequeno, na medida do que a criança consiga contar, manipular e administrar.
- Nessa idade, eles irão comprar coisas que custam centavos como doces e figurinhas, por exemplo.
- Para receber o dinheiro, o ideal é estabelecer um dia certo e mantê-lo. Não vale antecipar ou atrasar o pagamento, para não confundir o planejamento da criança.
- Os pais devem participar e acompanhar a utilização do dinheiro, principalmente ajudando nas contas. Pedir para a criança mostrar o troco e conferi-lo junto a ela é uma boa maneira de se aproximar como um ajudante na aventura. Mesmo os mais velhos precisam da supervisão e da participação dos pais na gestão dos recursos.
- Planos a "longo prazo" podem ser encorajados pelos pais. Juntar duas semanadas para comprar algo é um bom aprendizado.
- Aos dez anos de idade, a semanada já pode ser reajustada. Pode ser o suficiente para comprar um lanche na escola, por exemplo. É hora também de ensinar a criança a ter sempre uma pequena quantia de dinheiro para alguma eventualidade, como comprar um cartão telefônico para fazer uma ligação necessária ou algo para comer em um eventual atraso dos pais para buscá-lo na escola.
- Dependendo do poder aquisitivo dos pais, este valor não precisa ser parte da mesada. Pode ser dado separadamente e guardado no fundo da mochila. Mas não deve ser gasto em vão: é um fundo destinado apenas para as emergências.
- Crianças gostam de ajudar os outros. Tome-se um exemplo prático. Quase 90% das ligações feitas para doar dinheiro para o Criança Esperança partiram da iniciativa de crianças, que pediam aos pais para fazer a doação.
- Nesse caso, os pais também podem estimular aos que recebem mesada a dar pequenas contribuições mensais para algum fundo ou programa solidário que a família participe.
- Os pais devem mostrar e explicar aos filhos, o quanto antes, o que é e como funciona um orçamento familiar. Uma criança de dez anos pode até ajudar a fazer o fluxo de caixa. Ela irá se sentir muito bem, participando e contribuindo a uma atividade que gera o bem-estar de todos.
- A partir de uma planilha é possível mostrar às crianças qual é a renda familiar e os gastos mensais.
- Desta forma, a criança aprende quais são as prioridades, o que são despesas fixas, gastos variáveis e controle orçamentário. Use explicações simples para as dúvidas que surgirem.
- O dinheiro deve ser dado para a criança aprender a administrá-lo e suprir algumas necessidades e não para pagar por tarefas ou dar prêmios. Atividades domésticas são obrigação de todos da família. Não é aconselhável pagar uma criança que lavou o quintal, por exemplo. Se a mãe fizesse o mesmo, não receberia nada. Cuidar do bem-estar de todos, inclusive de si mesmo, é a melhor motivação neste caso.
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