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Menos bancos, mais clientes


Parcela de brasileiros com conta bancária triplicou, mas setor sofreu concentração

Quatro décadas após o milagre econômico, os números oficiais apontam 126 milhões de contas correntes no Brasil.

Ou seja, 66% dos 191 milhões de pessoas que vivem no país teriam conta. No entanto, especialistas estimam que, na verdade, no máximo apenas metade desse número, aproximadamente 30% da população, ou 60 milhões de pessoas, tenham acesso a todos os recursos da conta corrente, via caixa eletrônico ou internet, para pagar contas, fazer saques, transferências, operações de crédito e aplicações.

Em 1969, quando o caderno de Economia do GLOBO começava a circular, calcula-se que nem 10% da população tinham conta em bancos. Na época, as instituições eram de caráter regional e atendiam preferencialmente a pessoas das classes A e B. Na época, com 93 milhões de habitantes, eram 9 milhões de contas.

Hoje, os números do Banco Central (BC) incluem cadastros em diferentes bancos mas pertencentes à mesma pessoa, gente que só recebe aposentadoria ou recursos de programas sociais do governo, além de contas-salários.

Antonio Bento Furtado de Mendonça Neto, vice-presidente sênior da consultoria Solving Efeso Group, calcula que o número atual seja de 30% da população economicamente ativa, de cerca de 100 milhões, que usam bancos na sua plenitude.

— No fim dos anos 1960, para abrir uma conta corrente, era preciso uma apresentação pessoal ou da empresa. Nos anos 1960, o gerente ficava trancado, era preciso marcar hora com a secretária — lembra Antonio Bento.

Foi justamente nos anos 1970 que os bancos começaram a se popularizar. Com o milagre econômico, as reformas tributárias do governo militar e a criação da restituição do Imposto de Renda, as instituições financeiras passaram a ter interesse em movimentar recursos devolvidos à população, ampliando o acesso da classe média ao sistema bancário. Foi também nos anos 70 — com o estouro da bolha do milagre econômico — que tomou força o processo de aquisições dos bancos menores. Estava aberto o caminho para a concentração bancária.

Bancos ganhavam com inflação e hoje cobram juros altos no crédito Com a integração maior do país, com transmissões de TV via satélite para todo o Brasil, os bancos também se tornaram nacionais. O próprio Itaú nasceu Banco Central de Crédito em 1945, foi Federal de Crédito e adotou o nome atual nos anos 1970, herdando o nome de um banco de Itaú de Minas (MG), adquirido em 1964. Nos anos 1980, uma nova quebradeira decorrente da crise econômica do país acelera as aquisições.

— Com a inflação, os bancos ganharam muito dinheiro, girando no overnight. Hoje, esse é um dos motivos dos juros altos no crédito, pois transferiram esse ganho para os custos — diz Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Reflexo da hiperinflação dos anos 1980, os valores depositados em conta caíram drasticamente.

Corrigido pela inflação, o valor depositado em contas em 1990, segundo o BC, era equivalente a apenas R$ 20 bilhões, depois de alcançar R$ 142 bilhões em 1980. Em junho de 2009, esse valor chegou a R$ 121 bilhões.

Nos anos 1990, com o Plano Real, ficou mais difícil para os bancos fazer dinheiro apenas “girando”, diz José Francisco Gonçalves, economistachefe do Banco Fator. É dessa época o Proer, programa de socorro do governo federal, que resultou na compra do Nacional pelo Unibanco, do Econômico pelo Exel, depois pelo BBVA, posteriormente adquirido pelo Bradesco.

Dos mais de 200 bancos de expressão apenas regional dos anos 1970, o sistema bancário brasileiro passou a poucas instituições de peso.

Levantamento da consultoria Austin Rating mostra que, no fim de 2008, os cinco maiores bancos (Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Real e Caixa) reuniam 78,6% do total de ativos do setor, ou R$ 2,33 trilhões de R$ 2,97 trilhões. Em 1994, os cinco primeiros (BB, Bradesco, Itaú e Unibanco ainda separados, e Caixa) reuniam 45% dos ativos.

Felipe Frisch
O Globo - 18/08/2009
 http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/





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