agosto/2001 - 1 ano depois ... - Revista Você S.A.
Quatro famílias que tiveram as finanças analisadas por VOCE s.a. ao longo de 2000 contam como aproveitaram as sugestões dos consultores e o que mudou no jeito de lidar com o dinheiro de lá para cá
Oito casais com filhos, um divorciado, um sem filhos, um casal de namorados, um solteiro, cinco bebês (um deles ainda na barriga da mãe), dez crianças -- e, de lambuja, centenas de milhares de leitores Brasil afora. Esse é o saldo de pessoas beneficiadas ao longo de 2000 pela seção Finanças de uma Família. Foram 12 casos analisados, com a ajuda de consultores especializados, nos mais diversos pontos do país: do Ceará ao interior paulista, passando por Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás. Alguns endividados, outros com dinheiro sobrando. Mas todos, sem exceção, com o desejo de realizar seus sonhos e planejar o futuro.
Como estão essas famílias atualmente? Será que foi possível colocar em prática tudo o que os consultores sugeriram? Foi para responder a essas perguntas -- e saciar a curiosidade de muitos leitores -- que entramos em contato com quatro das famílias cujas histórias foram contadas na revista VOCE s.a. no ano passado. Ouvimos depoimentos de gente que mudou a maneira de lidar com o dinheiro, aprendeu a poupar, a controlar os gastos -- e, sim, realizou sonhos. Alguns foram mais bem-sucedidos do que outros, mas, no balanço final, todos aprenderam que podem tomar as rédeas de suas finanças. Veja em seguida as mudanças que aconteceram na vida de cada uma dessas famílias no ano passado.
Mamma mia
Em março de 2000, Fabio e Roseli Sartini deviam 16 000 dólares a um banco italiano. Com duas filhas pequenas (Fabiana, 3, e Sabrina, 1), o casal não sabia o que fazer para se livrar da dívida contraída na época do casamento. Viviam em São Paulo num apartamento alugado e corriam o risco de comprometer o patrimônio construído em mais de dez anos -- uma casa no interior e duas empresas no ramo automotivo na capital. Também pretendiam comprar um apartamento no Brasil, trocar de carro e comprar um imóvel na Itália, onde vive a família de Fabio.
Sugestões do consultor: VOCE s.a. levou o caso a Roseli Machado, da Fator Administração de Recursos. A consultora sugeriu que, de início, o casal se preocupasse em pagar a dívida. Para isso, deveria usar o que já tinha economizado (na época, 3 850 dólares) para amortizar 24% do valor devido e, em seguida, vender a casa no interior. Assim, aplicariam o dinheiro e, com os juros, iriam pagando o restante. Paralelamente, sugeriu que o casal diminuísse as viagens para construir uma poupança. A consultora acreditava que a dívida na Itália seria quitada até 2002. Com relação ao apartamento em São Paulo, Roseli sugeriu esperar até 2002. Com a dívida sanada, poderiam entrar num financiamento. Carros novos e apartamento na Itália? Só no futuro.
O que aconteceu: "Não fizemos tudo exatamente do jeito que foi sugerido, mas nossa vida financeira mudou muito. Infelizmente, as coisas complicaram nas duas empresas da família. Por isso, decidimos mudar o foco dos negócios. Assim, reduzimos custos e economizamos. Dos mais de 5 000 reais consumidos no orçamento mensal da família em 2000, passamos para 4 000. Com essa sobra fomos saldando a dívida na Itália. Acabamos de pagar em maio de 2001. Ao contrário do que sugeriu a consultora, optamos por não vender a casa em São Roque. Outra mudança que fizemos antes do sugerido foi a compra de um apartamento em São Paulo. Deixamos de pagar aluguel e agora pagamos um financiamento. Não me arrependo porque melhoramos em qualidade de vida: as meninas vão à escola em frente de casa, o trabalho ficou mais perto. Mudamos também de seguro de saúde. Economizamos na mensalidade. Reduzimos ainda os gastos com lazer, cortamos o supérfluo, passamos a controlar a gasolina. Enfim, apertamos o cinto. É claro que é difícil baixar o padrão de vida, mas valeu a pena, porque conseguimos nos livrar daquela dívida enorme." Os Sartini: "Alterar o padrão de vida não foi fácil, mas as coisas mudaram para melhor"
Começar de novo
O caso de Carlos Alberto Aleixo foi analisado em maio de 2000. Seus problemas financeiros pareciam ter uma origem comum: o perigoso hábito de misturar contas pessoais com as finanças da empresa, uma escola de inglês. Mesmo com os negócios a todo vapor, ele devia mais de 148 000 reais, entre cheque especial, leasing de automóvel, um computador e o financiamento de dois apartamentos, um em Moji das Cruzes e outro em São Paulo. Aleixo é pai de duas crianças que moram com a mãe, na capital. Portanto, era essencial que construísse uma reserva para emergências. Ele também queria economizar para um futuro intercâmbio dos filhos.
Sugestões do consultor: O caso foi analisado por Luiz Eduardo Mello, da Linear Investimentos. A sugestão feita foi vender o apartamento em São Paulo, que ficava grande parte do tempo vazio. Quando precisasse, Aleixo deveria se hospedar num flat. Para colocar o orçamento em dia, Mello contava com o dinheiro que Aleixo economizaria ao deixar de pagar juros do cheque especial e eliminar as prestações de dívidas. O consultor sugeriu ainda um seguro de vida para proteger os filhos e mudança nos plano de previdência para um PGBL.
O que aconteceu: "Coloquei o imóvel de São Paulo à venda, mas não consegui comprador. Não tive outra saída a não ser alugar. Com esse dinheiro, cubro pouco mais da metade das parcelas do financiamento. Vendi também meu carro e comprei um mais barato. Com o dinheiro que sobrou, quitei o cheque especial. O que me atrapalhou nesse meio tempo foi que minha ex-mulher entrou com uma ação na justiça e ganhou revisão de um montante de dinheiro que eu devia a ela. Ou seja, acabei me enrolando no cheque especial de novo. Mas estou conseguindo me equilibrar. Comecei a controlar tudo. Acabei com o costume de misturar finanças pessoais com as da empresa. E eliminei supérfluos na minha vida. Quando terminar de pagar à minha ex-esposa o que foi estipulado pelo juiz, recomeço do zero. Se consegui uma vez, posso fazer de novo."
No país dos cangurus
Marcelo Serra recorreu à seção em julho de 2000. Ele tinha uma boa reserva: 69 000 reais. Jovem e poupador, as dúvidas em seu caso diziam respeito a como aproveitar o dinheiro economizado. Marcelo tinha vários planos. O mais difícil de realizar era a compra de uma casa em São Paulo. Os outros, mais fáceis de ser alcançados, eram duas viagens. A primeira para a Espanha, em 2001, e outra para estudar na Austrália, em 2002. Marcelo também pretendia trocar de carro e se planejar para abrir um negócio próprio.
Sugestões do consultor: A primeira sugestão feita por Eduardo Fonseca, da Souza Barros Câmbio e Turismo, foi iniciar um plano de previdência privada. Como Marcelo ainda é jovem, a contribuição mensal ficaria em 300 reais no período em que ele estivesse pagando financiamento de uma casa. Esta foi a segunda sugestão: entrar num financiamento de cinco anos para comprar o imóvel. Assim, não gastaria toda sua reserva de uma vez. Com o dinheiro restante, poderia pensar nas viagens. Para isso, deveria garantir o valor em dólar investindo num fundo cambial. Quanto a troca do carro, poderia fazê-lo quando quisesse, pagando à vista. Em cinco anos, teria a casa quitada e poderia arriscar um pouco, aplicando até 20% de seu patrimônio em ações.
O que aconteceu: "Quando escrevi para a revista, eu vivia na ânsia de guardar dinheiro. Mas não sabia como utilizá-lo. Depois de ler a matéria, passei um mês decidindo por onde começar. A primeira coisa que fiz foi contratar um PGBL. Coloquei nele 10% das minhas economias. Continuei aplicando 400 reais todo mês por mais de sete meses até que decidi viajar. Não fiz a primeira viagem para a Espanha. Preferi investir na minha formação. Vim para a Austrália estudar inglês. Melhorei muito meu inglês, tive a oportunidade de trabalhar como garçom, pintor... Pode parecer que não tem nada a ver com minha formação (sou analista de sistemas), mas cresci muito. Quando voltar para o Brasil, vou estudar mais. Só me arrependo de não ter seguido uma das sugestões: aplicar em dólar."
MBA do futuro
A análise de agosto foi feita com a família Soares. A vida financeira de Adriana e Fernando era uma confusão: sete contas correntes, cinco cartões de crédito e inúmeras dívidas espalhadas entre o financiamento de um imóvel em São Paulo, um carro de luxo zero-quilômetro e compras no crediário. Pais de Vitor, com 2 anos na época, eles se preocupavam com a maneira de realizar os planos para a educação do filho. Queriam colocá-lo numa boa escola e, no futuro, enviá-lo para cursar um MBA nos Estados Unidos. Com um rombo de mais de 1 000 reais no orçamento, não conseguiam poupar para atingir esse objetivo.
Sugestões do consultor: O caso da família Soares foi levado aos consultores Betty Kitner e Benigno Ares, do site Financenter. Primeiro, eles deveriam vender o carro. O objetivo era juntar esse dinheiro ao adiantamento de férias de Fernando, cancelar temporariamente os planos de previdência privada do casal e quitar parte da dívida (empréstimos e compras a prazo). Poderiam então entrar num financiamento de um carro popular e aplicar o restante da venda do carro. Em seguida, deveriam cortar despesas em casa e eliminar contas correntes. Quanto à educação de Vitor, deveriam mantê-lo na mesma escolinha por mais dois anos. Os consultores sugeriram mudar o seguro de vida de Fernando para aumentar o valor da cobertura. Saneadas as finanças, a próxima etapa seria uma preparação para arcar com o aumento das prestações do imóvel -- o que aconteceria no momento da entrega das chaves. Em agosto de 2001 começariam a poupar para a educação de Vitor, voltariam a contribuir para um PGBL e a destinar alguma sobra para um fundo de viagens ou para o MBA de Vitor.
O que aconteceu: "Pode parecer incrível, mas a mudança foi menos dolorosa do que prevíamos. Vendemos o carro, eliminamos quatro contas correntes e mantivemos apenas um cartão de crédito. Até o começo de 2002, estaremos livres das dívidas. Continuamos pagando o financiamento. Em casa, reduzimos tudo. Hoje, por exemplo, só um de nós vai ao supermercado com uma lista nas mãos. Assim, conseguimos reduzir em 200 reais nossos gastos. Com o que deixamos de pagar de juros, meu marido fez um curso na Business School São Paulo e mudou de emprego. Está ganhando mais. Conseguimos ainda trocar o Vitor de escola antes do sugerido. Andamos com nossa planilha de orçamento debaixo do braço. Essa mudança abriu novas perspectivas na nossa vida." Fernando, Vitor e Adriana: "Estamos garantindo o futuro de nosso filho"
Fabiana Correa
Fonte: Revista Você S.A. - Edição 38 - Ano 4 - Agosto/2001
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