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26/julho/2000 - Cheque Mate - Revista Exame

Talões agora podem encolher para dez folhas

Cheque Mate

Se você saca o talão de cheques para pagar pequenas contas no supermercado, na padaria, no posto de gasolina ou no shopping center, cuidado. A partir de agora, esse hábito pode custar mais caro. As regras para o fornecimento de talão de cheques pelos bancos mudaram. No fim de junho, o Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu o número dos cheques que o banco tem de entregar gratuitamente ao cliente. EM vez das 20 folhas a que você estava acostumado, agora são 10 por mês.

O Inconveniente pode ser maior ainda se você usa e abusa dos famosos pré-datados para pagar suas contas. Pelas novas regras, os bancos podem suspender o fornecimento de talões se pelo menos a metade dos cheques em poder do cliente já não tiver sido compensada. Ou seja: o talão pode acabar antes do mês.

Essas medidas atendem a um pedido dos lojistas, que estão preocupados com o aumento do número de cheques sem fundo. Do total de cheques compensados no país, 1.9% não tinha fundos em 1997, segundo dados do Banco Central (BC). A proporção de borrachudos (que batem no caixa e voltam) subiu para 2,5% em 1998 e 3,2% em 1999. Neste ano, a média até junho é de 3,5%.

“O objetivo é impedir que maus pagadores acumulem talões”, diz Marcel Solimeo, economista chefe da Associação Comercial de São Paulo. E os maus pagadores são um caso sério: 36% dos emitentes de cheques frios são responsáveis por 78% das ocorrências. “O principal problema é a contumácia”, diz Solimeo.

A precaução pode acabar custando caro aos comerciantes, porém. Os cheques ainda são a segunda forma de pagamento predileta do brasileiro. Perdem só para o dinheiro vivo. Assim, a falta de talões poderia limitar as vendas e prejudicar o próprio comércio. “Os bancos devem ter critério ao diminuir o fornecimento”, diz Solimeo. “Temos de evitar abusos, mas não pode faltar cheque.”

Escassez ou excesso, não dá para saber o efeito das novas medidas. Os bancos ainda não decidiram como vão implementa-las. “Estamos analisando”, diz Aldo Galleti, diretor de serviços bancários da Federação Brasileira de Associações de Bancos (Febraban). “Temos de considerar as conseqüências legais e operacionais das novas regras”. Um dos complicadores é o caso dos clientes que assinaram um contrato de pagamento de tarifas que prevê o fornecimento gratuito de 20 cheques por mês. Não se sabe se dá para romper esse contrato unilateralmente.

Como fica, então? Na dúvida, procure o gerente de seu banco. A resolução do CNM diz que o talão gratuito de dez folhas e a suspensão de entrega até a compensação de 50% dos talões antigos são facultativos, não obrigatórios. Nada impede, portanto, que os bancoscontinuem fazendo o que sempre fizeram.

No entanto, você pode aproveitar o embalo para organizar melhor seu orçamento. O hábito de pagar tudo com cheque vem do tempo da inflação desenfrada, em que deixar o dinheiro no banco significava um ganho de 1% ao dia. Hoje não é mais assim. “As pessoas devem gastar menos cheques e prestar atenção nos pré-datados”, diz Betty Kitner, diretora do Financenter, um site voltado para finanças pessoais. “Mantendo os gastos sob controle, ninguém corre o risco de ficar sem dinheiro ou sem cheques.”

Kei Marcos

Fonte: Revista Exame – Edição 719 – 26/julho/2000




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