Decida com perguntas e criatividade
Fazer as perguntas certas, para enquadrar adequadamente o problema que deve ser
enfrentado. Essa é a base de uma decisão bem tomada,
segundo Paul Schoemaker. E de várias decisões se faz
uma negociação.
Negociação e tomada de decisão andam
de mãos dadas. Por esse motivo, Paul Schoemaker desenvolveu, durante palestra no Fórum Mundial de Negociação
da HSM, seu pensamento sobre como decidir perseguindo o melhor resultado para
uma negociação. A base do processo é a identificação correta do problema, que
evita diversas armadilhas psicológicas com as quais as pessoas se deparam.
O acadêmico da Pennsylvania
University conduziu sua palestra em torno dos quatro
passos que levam à tomada de decisão: enquadrar o problema, coletar
informações, tirar conclusões e aprender com a experiência. Esses passos são
não lineares e dinâmicos, de maneira que o problema talvez precise ser
redefinido no curso das conversações.
Rompa o enquadramento original
Identificar e
delimitar o problema é fundamental. No entanto, cada um de nós traz consigo um enquadramento,
ou seja, um repertório de receitas mentais, pelas quais entendemos como o mundo
funciona. Mas, na maioria das vezes, elas estão equivocadas ou incompletas.
“Nossa janela é limitadora; então,
não vemos as melhores soluções. O enquadramento filtra a informação que nos
chega, mas não nos damos conta disso”, alerta Schoemaker.
Em problemas complexos, como na negociação, não enxergamos todos os ângulos da
questão. “Negociação tem a ver com descobertas, com fazer as perguntas certas.”
“Outros enxergam o meu nariz melhor
do que eu”, diz o palestrante. Segundo ele, ser criativo é romper o
enquadramento que nos limita. É desafiar nossos modelos mentais e procurar
conhecer os modelos mentais da outra parte.
A questão do risco de perdas
Schoemaker propõe à audiência que se coloque
no lugar de um chefe de divisão industrial de uma empresa que se vê diante da
necessidade de decidir sobre ocorte de funcionários
dentro de um universo de 600 pessoas. Há duas opções: na alternativa A, 200
empregos serão salvos; na B, há um terço de chance de que 600 empregos sejam
salvos e dois terços de chance de que nenhum emprego seja salvo.
As pessoas tendem a escolher a opção
A, mas, quando se muda a maneira de enfocar o dilema, destacando as perdas
potenciais (400 empregos em A e zero a 600 empregos em B), as pessoas tendem a
optar por B, alternativa na qual a perda pode ser
maior.
“Se temos metas mais ambiciosas,
tendemos a estar mais dispostos a assumir riscos,
quando nos deparamos com perdas grandes”, diz o palestrante. Ele assinala que
apresentamos inconsistências no modo como avaliamos e enfrentamos o risco.
“Quanto mais altos os pontos de referência de uma negociação, mais altos os
riscos que estamos dispostos a assumir.”
Em negociação, lidamos com a ambiguidade. Por isso, a arte dos bons negociadores e bons
políticos é reenquadrar o pensamento das pessoas.
Ciladas da coleta de informações
A coleta de informações, um dos passos
do sistema dinâmico de tomada de decisão que Schoemaker
propõe, traz o risco de cairmos em armadilhas típicas. São elas:
1. Excesso de confiança no próprio
discernimento. “Se vocês listassem tudo o que assumem sobre a outra parte em
uma negociação, veriam que estão excessivamente confiantes.” Temos que começar
com honestidade, para elaborarmos as perguntas corretas.
2. Atribuir peso excessivo às
informações disponíveis. “Até que ponto informações de que dispõem são
parciais?” As pessoas creditam maior peso àquilo que ouvem e leem com mais frequência.
3. Ancorar exageradamente as
estimativas. O ponto de partida tem uma influência excessiva na negociação
final. Essa âncora é, por exemplo, quanto assumimos
que a outra parte está disposta a pagar. “Uma vez que estabelecemos a âncora,
tendemos a não nos afastar dela. Utilizem múltiplas âncoras”.
4. Ter predileção por dados
comprobatórios. Nem tudo pode ser comprovado, e os juízos de valor são muito
relevantes numa negociação.
HSM
Online - 29/09/2009
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