Bancos rejeitam limites para o setor
Uma
associação que representa os maiores bancos do mundo pediu ontem aos países
que fazem parte do G-20 que coordenem melhor as várias iniciativas lançadas
para aperfeiçoar a regulação do sistema financeiro e evitem tomar medidas
isoladas que possam afetar a capacidade do setor de voltar a crescer no futuro.
Numa carta endereçada aos líderes do G-20, o Instituto de Finanças
Internacionais (IIF) admite que a confiança depositada nos bancos foi
"profundamente abalada" pela crise, mas pede que as autoridades
reconheçam os esforços que o setor tem feito para mudar antes de impor novos
limites à sua atuação.
"Práticas
mais saudáveis nasceram da crise e mostram que a indústria está comprometida
com a necessidade de mudar seu comportamento", disse o diretor-gerente
do IIF, Charles Dallara, numa entrevista a jornalistas em Washington. "A
reforma regulatória deve buscar meios de reforçar isso."
Na
carta enviada aos líderes do G-20, que na próxima semana se reunirão para
discutir a economia mundial em Pittsburgh, nos Estados Unidos, a associação
diz que a crise levou os bancos a adotar modelos de negócios mais prudentes e
abolir políticas de remuneração que incentivavam seus executivos a tomar
riscos excessivos.
Mas
autoridades de vários países têm demonstrado insatisfação com o setor. A
França propôs limites para os bônus pagos aos banqueiros. Num discurso ontem em Wall Street, o
presidente dos EUA, Barack Obama, advertiu para os riscos criados pelo
excesso de otimismo de investidores que parecem "ignorar" as lições
da crise.
Há
uma semana, os ministros das finanças dos países avançados e em
desenvolvimento que fazem parte do G-20 concordaram em exigir que os bancos
mantenham reservas de capital maiores e de melhor qualidade e defenderam
mudanças na maneira como os banqueiros são remunerados, mas deixaram para
mais tarde a definição dos detalhes. Dallara rejeitou a imposição de limites
rígidos como os sugeridos pela França para as políticas de remuneração dos
bancos, mas reconheceu a necessidade de mudanças. "Essa não é uma área
que a indústria possa corrigir sozinha, porque as pressões competitivas são
muito fortes", disse.
Os
grandes bancos internacionais estão preocupados com o andamento das
discussões em fóruns como o G-20, porque temem que a criação de novas
restrições prejudique sua capacidade de recrutar profissionais talentosos e
explorar as oportunidades lucrativas que começam a surgir com a recuperação
da economia global.
Como
o IIF lembrou na carta aos líderes do G-20, bancos americanos e europeus
captaram no mercado mais de US$ 650 bilhões desde o fim de 2007 para reforçar
suas reservas de capital. Mas grandes instituições continuam muito
dependentes das garantias asseguradas pelos governos no auge da crise para se
manter capitalizadas.
Uma
das ideias em discussão no Banco de Compensações Internacionais (BIS) e em
outros organismos que preparam propostas sobre o tema prevê a criação de um
limite para a alavancagem dos bancos, que ficariam proibidos de emprestar
mais do que 25 vezes o valor dos seus ativos, além de manter reservas de
capital maiores que as atuais.
Dallara
disse que a indústria aceita conversar sobre o assunto mas discorda da
imposição de limites rígidos como esse.
A
carta do IIF pede que os novos limites regulatórios sejam
"calibrados" de acordo com os diferentes modelos de negócios e os
riscos tomados por cada instituição financeira.
A
associação também defende a criação de um novo sistema para solução de crises
bancárias em que diferentes governos dividiriam os custos necessários para
sanear organizações complexas com negócios em vários países, como os grandes
bancos que tiveram problemas na crise atual.
Autor(es): Ricardo Balthazar
Valor Econômico – 15/09/2009
http://clippingmp.planejamento.gov.br/