Goldman Sachs admite erros dos bancos
Um ano de crise: Blankfein
afirma que as instituições perderam o controle de produtos socialmente inúteis
Lloyd Blankfein, diretor-presidente do Goldman Sachs,
admitiu ontem que os bancos perderam o controle de alguns produtos socialmente
inúteis que eles venderam antes da eclosão da crise financeira e disse ser
"compreensível e oportuno" o furor provocado pelos métodos de
remuneração dos banqueiros.
Em um pronunciamento feito
em um seminário promovido pelo jornal alemão "Handelsblatt"
em Frankfurt, Blankfein disse: "O setor permitiu
que o crescimento e a complexidade dos novos instrumentos superassem sua
utilidade econômica e social, assim como a capacidade operacional de
administrá-los." A mensagem reflete comentários feitos por Lord Turner, presidente da Financial Services
Authority do Reino Unido (FSA), que provocaram
controvérsia na City de Londres no mês passado, quando ele questionou o valor
social de grande parte da atividade de banco de investimento.
Um banqueiro disse ontem
que a mensagem de Blankfein foi apropriada para a plateia. Muitos bancos alemães encheram seus balanços com
títulos garantidos por ativos comprados com recursos de curto prazo baratos,
numa estratégia que se desfez espetacularmente quanto os financiamentos secaram
no ano passado. "A Alemanha tem uma ferida aberta", disse o
banqueiro. "Blankfein tentou claramente
apaziguar os locais e demonstrar algum tipo de arrependimento. Mas concordo com
que ele disse - de que eram apostas idiotas e totalmente inúteis."
Reconhecendo que alguns
produtos ficaram complicados demais, Blankfein disse:
"Temos uma responsabilidade para com o sistema financeiro que exige que
não favoreçamos produtos fora do padrão quando o objetivo de um cliente e os
interesses do mercado podem ser atendidos com um produto
padronizado e negociado em uma bolsa de valores."
Um número crescente de
banqueiros já admite em particular que as complexidades de muitos produtos estruturados
foram excessivas nos anos do boom. "Ele está certo. Certas coisas
provavelmente foram longe demais", disse um executivo de Londres.
Embora Blankfein
tenha observado que alguns derivativos tiverem "um propósito
econômico e social importante", e dito que a proibição dos derivativos
personalizados complexos também teria afetado o crescimento, ele reconheceu que
esses produtos deveriam, com razão, atender "exigências de adequação de capital mais rigorosas".
Blankfein também repetiu uma crítica, feita
pela primeira vez no segundo trimestre, sobre as estruturas de remuneração de
muitos banqueiros.
O presidente do Goldman
Sachs, que recebeu uma remuneração total de mais de US$ 70 milhões em 2007,
disse que as bonificações multianuais deveriam ser
proibidas e os funcionários mais graduados das instituições financeiras
deveriam receber proporções grandes de seus pagamentos em ações, em vez de
dinheiro.
O apoio eloquente
Blankfein à reforma reguladora mundial - incluindo
uma recomendação de que é preciso haver um "divisão
vigorosa de informações" entre as autoridades reguladoras - deverá
influenciar seus colegas e ser bem recebida por políticos e autoridades
reguladoras.
Patrick
Jenkins, Financial Times, de Londres
Valor Econômico
http://www.andima.com.br/clipping/100909/index.html