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>> Previdência >> Artigos >> É necessário, sim, pensar na aposentadoria agora


É necessário, sim, pensar na aposentadoria agora

Pensar na aposentadoria não está na prioridade de quem está iniciando a carreira. Mas isso é um erro que vem se mostrando cruel para muitas pessoas com o passar do tempo. Parentes, amigos e colegas se aposentam numa condição ruim por não terem se planejado. E têm, muitas vezes, que continuar a trabalhar para complementar a renda. Como no início da carreira, o salário às vezes cobre apenas as despesas gerais e poupar parece praticamente impossível.

O tempo passa, a carreira sofre mudanças e a aposentadoria se aproxima. Atualmente, no Brasil, um plano de previdência complementar patrocinado por uma empresa a seus empregados, representa, juntamente com a aposentadoria do INSS, de 55% a 65% do último salário, segundo a Mercer.

Ou seja, uma pessoa que se aposenta com salário de R$ 5 mil, provavelmente deverá ter uma aposentadoria em torno de R$ 3 mil, considerando o plano de previdência privada e o INSS. Parece pouco? Pois se trata de uma realidade otimista no Brasil, já que muitos não contam com qualquer plano de previdência complementar.

Com alguma disciplina financeira, a transição para a aposentadoria pode ser mais simples, sem grandes privações ou sustos. Não há nada pior do que, depois de anos de trabalho, o profissional não ter o direito de parar de trabalhar porque não poupou adequadamente e perdeu a condição de manter o mesmo nível de conforto que adquiriu enquanto ativo. Para isso é importante que seja feito um preparo ao longo da vida para evitar perdas ou até endividamentos futuros.

Utilizar uma planilha de gastos, por exemplo, ajuda bastante no planejamento voltado para o futuro. Saber o quanto da renda já está comprometida, quanto sobrará para despesas extras e entender como se gasta o próprio dinheiro traz benefícios, mesmo que isso possa assustar um pouco no começo. Saber quanto virá na fatura do cartão de crédito ou quanto se tem no banco são exemplos de uma vida sem sustos e com ampla estabilidade financeira. Muita gente posterga esse controle e depois tem dificuldade de colocar em dia os compromissos financeiros. Mas entender as dívidas hoje vai refletir em uma situação mais equilibrada no futuro. Quando se tem consciência do que se tem e onde se quer chegar é possível planejar.

Poupar é imprescindível. Parece óbvio, mas estamos falando de um tipo de poupança específica. Uma coisa é poupar para emergências ou para adquirir algum bem no futuro, como imóveis, e outra é poupar para se aposentar com segurança, um costume ainda a ser adquirido pelo brasileiro. Assim fica fácil entrar na lista dos aposentados com renda inferior à mínima necessária para sobreviver com dignidade. Se alguma doença interromper esse processo, a situação fica ainda pior.

Portanto, reserve um valor e uma conta específica para cada tipo de poupança. Para poupar para a aposentadoria, faça um PGBL ou VGBL, busque informações sobre aplicações de longo prazo e suas condições, invista e esqueça que esse dinheiro existe. Lembre-se dele apenas no dia marcado para depósito e no momento de gozar do benefício. E para que haja disciplina é importante que seja determinada uma parte de sua renda para esse fim. Estipule um percentual adequado e se ajuste a ele.

Outra dica é nunca usar toda a sua renda em dívidas fixas de consumo rotineiro e doméstico, como telefonia, supermercado, internet, pois as emergências podem surpreender. Nessa hora, não ter a poupança extra pode criar impasses. Mantenha ainda uma margem de segurança para pagamentos de faturas de cartões de crédito ou a franquia de algum seguro, que são normalmente valores mais elevados do que o habitual.

O adequado é manter essas reservas aplicadas de uma forma que o risco seja baixo e que o acesso seja imediato ou breve. No mais, procure diminuir gastos supérfluos, entre eles pagar uma academia e não freqüentar, o curso de idioma sem levar a sério ou assinaturas de revistas que você nunca lê. Nossos gastos usualmente costumam estar relacionados ao quanto ganhamos. Quanto mais ganhamos, mais queremos gastar! Somente com o planejamento dos gastos e com uma poupança futura, você garantirá uma aposentadoria tranqüila, justa e confortável.

Carolina Wanderley é consultora Sênior de Previdência da Mercer - Colaborou Leonardo Dias, consultor de Previdência da Mercer
Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.
http://www.andima.com.br/clipping/clipping.asp


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