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Carta IEDI n. 386


Peso da Indústria de Transformação na Economia Global
Tomando-se a National Accounts Main Aggregates Database da Divisão de Estatística das Nações Unidas (United Nations Statistics Division), pode-se afirmar que os serviços ampliaram sua parcela no VA da economia mundial entre 1970 e 2007, de 56,9% para 63,1%; de um lado, a agropecuária, produção florestal e pesca viu sua parte na VA mundial cair de 6,8% para 5,0%; de outro, a indústria percebeu uma redução de participação de 36,6% para 32,0%.

Todavia é necessário melhor avaliar tanto a redução da participação da indústria, quanto as particularidades do próprio incremento participativo do VA dos serviços. O menor peso do setor industrial tem ocorrido pelo declínio tanto na participação do VA das indústrias extrativas e serviços industriais de utilidade pública (SIUP), caindo de 5,3% para 4,3%, quanto do VA da construção, de 8,4% para 4,8%. O valor adicionado pela indústria de transformação tem mantido uma proporção estável: em 1970, respondia por 22,8% e, em 2007, por 23,0%.

O segmento de transporte, armazenagem e comunicações, conjunto de serviços associado às atividades produtoras de bens, viu sua parcela no VA mundial subir de 5,9% em 1970 para 8,5% em 2007. Já o conjunto formado pelas atividades comerciais, de alojamento e alimentação, por sua vez, teve uma participação no VA total de 13,6% em 1970, proporção esta que subiu para 15,8%, representando acréscimo de 2,2 pontos percentuais. As demais atividades de serviços observaram aumento em sua parcela no valor adicionado, de 37,4% para 38,8% em 1970.

Em suma, apesar da ampliação da participação dos serviços no valor adicionado mundial, a indústria de transformação tem mantido sua importância. Em paralelo, dentre os grandes grupos de atividades de serviços, o que mais ampliou sua parcela – transporte, armazenagem e comunicações – tem seu dinamismo costumeiramente associado ao desempenho da indústria de transformação.

A importância da indústria de transformação pode ser vista também sob outro prisma. A partir de uma seleção de 23 países, aqueles que lograram médias de taxas de expansão anual do PIB superior a 5%, de 1970 a 2007, foram economias cuja proporção da indústria de transformação no valor adicionado cresceu 2,5 pontos percentuais ou mais no confronto entre os anos de 2007 e de 1970. As únicas exceções ficaram por conta das “cidades-estado” de Cingapura, cuja participação da indústria de transformação subiu 1,5 p.p., e de Hong Kong, com queda de 18,4 pontos percentuais no peso da indústria de transformação. Em termos de expansão, China é o destaque notório, mencionando-se também Malásia, Coréia do Sul, Tailândia, Indonésia e Índia, afora a menção já feita a Hong Kong e Cingapura. Cumpre mencionar ainda a presença da Irlanda, com média de expansão anual de 5,3% e incremento do peso da indústria de transformação de 2,5 p.p.

Por outro lado, entre os países com média das taxas de expansão anual inferior a 5% (Brasil inclusive), só três registraram aumento no peso da indústria de transformação na comparação entre 1970 e 2007: México, Hungria e Itália, nenhum dos três com incremento chegando a 2,0 pontos percentuais. Os demais presenciaram redução da proporção da indústria de transformação em sua estrutura produtiva. A Alemanha, com a menor média da taxa de crescimento do PIB, 2,2%, experimentou redução na participação da indústria de transformação de 8,9 pontos percentuais.

Ou seja, cresceu mais quem obteve maior dinamismo em seu setor industrial.

http://www.iedi.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=iedi&tpl=home






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