A última edição do Relatório da
Competitividade Global, publicação anual do Fórum Econômico Mundial
(disponível em http://www.weforum.org),
destaca que o Brasil subiu oito posições no ranking da competitividade
global em 2009, passando da 64ª posição para a 56ª.
Embora seja um fenômeno complexo,
com vários determinantes, muitos dos quais agem em simultâneo e se autorreforçam, a competitividade pode ser definida como o
conjunto de instituições, políticas e fatores que determinam o nível de
produtividade de um país, o qual, por sua vez, assegura o nível de prosperidade
sustentável que pode ser alcançado pela economia. Desse modo, uma economia mais
competitiva, com produtividade elevada, tende a gerar níveis de rendas mais
elevados para seus cidadãos, bem como alto retorno para os investimentos, motor
fundamental para o crescimento de médio e longo prazo.
Para capturar os múltiplos aspectos
desse conceito complexo, o Índice de Competitividade Global procura quantificar
cada um dos 12 pilares da competitividade:
1º. Instituições. O ambiente
institucional sólido, caracterizado por instituições e arcabouço legal e
administrativo de qualidade, é essencial para a competitividade e para o
crescimento.
2º. Infraestrutura.
Infraestrutura abrangente e eficiente é motor
essencial de competitividade, pois é um dos fatores determinantes da
localização da atividade econômica e do tipo de setores de atividade que podem
se desenvolver em uma economia particular.
3º. Estabilidade Macroeconômica.
A estabilidade do ambiente macroeconômico é importante para os negócios e para
competitividade de um país.
4º. Saúde e Educação Primária.
Uma força de trabalho saudável e com nível de educação básica adequado é vital
para a produtividade e competitividade de um país.
5º. Educação Superior e
Treinamento. Educação superior de qualidade e treinamento contínuo também é
crucial para as economias que avançam na cadeia de valor.
6º. Eficiência nos mercados de
bens. A concorrência saudável tanto no âmbito doméstico como internacional é um
importante motor para a eficiência dos mercados de bens e serviços e para maior
produtividade dos negócios.
7º. Eficiência do Mercado de
Trabalho. A eficiência e a flexibilidade do mercado de trabalho são críticas
para assegurar tanto a alocação dos trabalhadores para o melhor uso dos
talentos na economia como os incentivos adequados para que esses dêem os seus
melhores esforços.
8º. Sofisticação do Mercado
Financeiro. Um setor financeiro eficiente canaliza os recursos para os projetos
empresariais de investimento de mais alto retorno, mediante uma adequada
avaliação de riscos.
9º. Disponibilidade de
Tecnologia. A rapidez com que a economia adota tecnologias existentes para
elevar a produtividade de suas indústrias é um componente fundamental da
competitividade no mundo globalizado.
10º. Tamanho do Mercado. O
tamanho do mercado afeta a produtividade porque mercados maiores permitem que
empresas explorem as economias de escala.
11º. Sofisticação dos Negócios.
Expressa na qualidade das redes de negócios do país e das operações e
estratégias das empresas individuais, a sofisticação dos negócios conduz à
maior eficiência na produção de bens e serviços, favorecendo aumento da
produtividade e, por consequência, a competitividade
da nação.
12º. Inovação. Apenas a
inovação garante a elevação do padrão de vida no longo prazo. Naquelas
economias em estágio avançado de desenvolvimento, as empresas precisam
continuamente inovar em produto e em processos para se manterem competitivas.
Combinando informações quantitativas
das estatísticas internacionais com informações qualitativas obtidas na
pesquisa de opinião realizada junto à comunidade empresarial em 133 países, o
Índice de Competitividade Global (IGC) fornece um retrato, mais próximo possível
da realidade, do ambiente econômico dos países e de suas habilidades em
alcançar e manter níveis sustentáveis de crescimento e prosperidade.
O Brasil no Mapa da Competitividade
Global. O
relatório do Fórum Econômico Mundial destaca que o Brasil subiu oito posições
em 2009, passando da 64ª posição para a 56ª no ranking da
competitividade global. Igualmente, em uma pesquisa complementar à análise do ICG, realizada com dezesseis economistas, sobre
os impactos da crise em trinta e sete países, o Brasil é apontado, ao lado da
China, Índia, Canadá e Austrália, como uma das cinco economias, cuja
competitividade deverá aumentar em consequência da
recessão mundial. Na avaliação desses economistas, a competitividade brasileira
seria a mais favoravelmente afetada pela crise dentre essas cinco economias.
O relatório salienta que, desde a
década de 1990, quando realizou a abertura da economia e adotou medidas em prol
da sustentabilidade fiscal, o Brasil vem reforçando os fundamentos da
competitividade e melhorando o ambiente para o desenvolvimento do setor
privado. Em relação ao ano anterior, a economia brasileira registrou avanços
adicionais, notadamente no que se refere à sofisticação dos negócios e ao forte
potencial em inovação.
Além disso, o País também tem, como
vantagens, o tamanho do mercado doméstico e o grau de desenvolvimento do
mercado financeiro.
Porém, o Brasil apresenta uma série
de deficiências que impedem a realização do seu potencial competitivo e a
redução da pobreza e da desigualdade da renda. O ambiente institucional, a
estabilidade macroeconômica e a eficiência dos mercados de bens e trabalho
continuaram sendo mal avaliados, não obstante os progressos realizados nos
últimos anos. Ademais, as áreas de educação fundamental e saúde e de educação superior
e treinamento também exigem melhoramentos. A despeito dos avanços já obtidos é
necessário esforço adicional para elevar a qualidade do ensino e reduzir a
disparidade regional.
A despeito desse avanço alcançado em
2009, o País ainda está muito distante da China e da Índia, que são os dois BRICs melhores posicionados no ranking da
competitividade. Frente à China, o Brasil só leva vantagem nos pilares da
disponibilidade de tecnologia e sofisticação do mercado financeiro. Já, frente
à Índia, as vantagens do Brasil são disponibilidade de tecnologia, educação
fundamental e saúde e educação superior e treinamento. Embora se situe a frente
da Rússia, que em razão do forte o impacto da crise no mercado financeiro
doméstico perdeu onze posições no ranking da competitividade, o Brasil é
mais competitivo apenas em cinco das doze áreas avaliadas.
Comparado com a média mundial, o
Brasil apresenta maior competitividade em algumas áreas, com destaque para a
disponibilidade de tecnologia, sofisticação do mercado financeiro e dos
negócios e inovação, além do tamanho do mercado. Nas áreas de educação, o País
está próximo da média mundial na educação fundamental e ligeiramente acima da
média em educação superior e treinamento.
Nessas áreas, o Brasil também tem
vantagem vis-à-vis a média do grupo de países
classificados no estágio 2 de desenvolvimento, que tem como característica a
busca por eficiência. Comparado com esse grupo, a estabilidade macroeconômica
ainda permanece como o mais fraco pilar da competitividade da economia
brasileira. Já na comparação com a média mundial, além da ainda insuficiente
estabilidade macroeconômica, a economia brasileira apresenta deficiências na
área de infraestrutura, instituição e eficiência do
mercado de bens.
O relatório também
apresenta os resultados da pesquisa do Fórum Econômico Mundial sobre os
principais obstáculos identificados pelos executivos para a realização de
negócios. De acordo com os executivos brasileiros entrevistados, os principais
problemas do Brasil que desencorajam a realização de negócios são, por ordem de
importância, a legislação tributária, o peso da tributação, a legislação
trabalhista restritiva, a ineficiência da burocracia estatal, dificuldade de
acesso a financiamento, a oferta inadequada de infraestrutura
e a corrupção.
Carta IEDI n. 382
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