Fugir da despesa do aluguel nem sempre é vantagem
O taxista
César Duarte é um dos muitos consumidores brasileiros que estudam a compra de
um apartamento para fugir da despesa mensal com o aluguel. Ele mora há três anos num apartamento de dois quartos, no bairro
Tatuapé, zona Leste de São Paulo, e paga R$ 400,00 de aluguel. Segundo ele, o
imóvel está avaliado em R$ 60 mil. "Estava dando uma olhada nos
financiamentos e, com os juros mais baixos, estou pensando em comprar um
apartamento porque a prestação seria quase a mesma coisa do meu
aluguel", diz ele. "Acho que o momento é bom para um
financiamento.
Em grande
parte dos bancos, as taxas dos financiamentos à aquisição de imóveis hoje
ficam na casa dos 10% ou 11% ao ano, isso fora do Sistema Financeiro Habitacional
(SFH). Para os imóveis mais baratos, a taxa é menor, ficando na faixa de 8%
ao ano.
Para
outros, sair do aluguel pode ser considerada uma
desvantagem. Há dois anos, a tradutora e intérprete Silvia Silva levou um
baita susto quando seu marido Giuseppe resolveu vender o apartamento onde moravam, aplicar o dinheiro e pagar aluguel. Mas ele, que
é presidente de uma empresa na área de tecnologia, fez as contas, a convenceu
e os dois se desfizeram do apartamento duplex no bairro da Vila Mariana,
região Sul de São Paulo.
O casal
vendeu o imóvel por R$ 400 mil, investiu num fundo de renda fixa e, com a
rentabilidade da aplicação, paga o aluguel de um outro apartamento na Vila
Madalena, região Oeste da capital. Mas hoje, com os juros sensivelmente mais
baixos e o aquecimento do mercado imobiliário, é preciso refazer as contas
para saber se essa estratégia continua interessante.
O
executivo calcula que entre o aluguel e condomínio paga R$
2.200 por mês, o que dá uma despesa anual de R$ 26,4 mil. O retorno projetado
para o fundo em que aplica é, segundo Giuseppe, de 13% ao ano, o que daria um
retorno da ordem de R$ 52 mil. "É possível pagar o aluguel e ainda sobra
quase metade para ser reinvestido", diz. "Para valer a pena a compra de um apartamento, o juro precisaria cair
ainda mais." O fundo de renda fixa em que o executivo aplica seus
recursos cobra taxa de administração de 1% ao ano. Considerando-se, por
exemplo, um imposto de renda de 22,5% sobre o rendimento, o ganho líquido
seria de algo próximo a R$ 40,3 mil - valor ainda mais do que suficientes
para pagar a despesa com o aluguel.
A
estratégia, no entanto, de vender o apartamento, aplicar os recursos e pagar
aluguel é um tanto agressiva e requer bastante cuidado. Os consultores dizem
que este pode ser o momento para o casal rever essa estratégia, caso queira,
em algum momento, comprar, de fato, um imóvel. Com os juros caindo e o farto
volume de crédito imobiliário, o preço dos imóveis deve subir e o casal pode
ter de pagar mais caro quando decidir comprar um apartamento.
De São Paulo
Valor Econômico - 27/06/2007
Luciana
Monteiro
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