Exagero na mesada abre espaço para mau uso do dinheiro
Estudo
dos professores Sara Markowitz, do Departamento de
Economia da Universidade de Rutgers, em Newark, e John Tauras, da
Universidade de Illinois, ambas nos Estados Unidos,
mostra que há uma relação
significativa entre o tamanho da mesada e o uso de maconha, cigarro e
álcool por adolescentes.
Segundo
o estudo, que investigou adolescentes americanos de 17 e 18 anos cursando o
último ano do equivalente ao ensino médio no Brasil, cada US$
100 ao ano adicionais na mesada correspondem ao
aumento de 0,45 pontos percentuais na probabilidade de o adolescente fumar
maconha. A relação com álcool e cigarro é ainda
mais forte. Nesses casos, a probabilidade aumenta 0,96 pontos percentuais
para a bebida e 0,62 pontos percentuais para o cigarro.
Para
os estudantes nessa idade que já trabalham, também há
impacto na relação entre o salário e o uso de drogas.
Segundo os pesquisadores, a cada US$ 100 adicionais na receita anual desses
jovens, o aumento da probabilidade é de 0,06 pontos percentuais para o
uso de maconha, de 0,11 pontos percentuais para cigarros e de 0,17 pontos
percentuais para bebidas.
O
trabalho de Sara e Tauras, "Even for teenagers, money does not
grow on trees: teenage substance use and budget constraints", investiga os gastos de adolescentes e,
principalmente, se o aumento de preço em determinados itens tem um
impacto na redução do consumo de outros. Segundo os
pesquisadores, a maior parte dos gastos vai para roupas (34%), entretenimento
(22%) e comida (16%). Transporte também é um componente
importante.
Há muitas curiosidades na pesquisa. Segundo o
estudo, o aumento dos preços de "fast food" pode ter influência no uso de drogas,
pois o preço alto do hamburger pode reduzir
a probabilidade de freqüência do uso de maconha e cigarro, por
exemplo.
A
mesada pode ser um instrumento importante para que crianças e
adolescentes comecem a ter noções de orçamento e
gestão financeira. Muitos estudos apontam formas de como deve ser
calculado o valor. No entanto, o mais importante é que exista um
critério mínimo e, principalmente, que uma vez determinado,
seja cumprido à risca por pais e filhos. Do contrário, perde a
relevância como instrumento de educação financeira.
O
melhor é sentar-se com seu filho e juntos, com papel e lápis na
mão, estabelecer quais os gastos que vão ficar por conta dele e
quais você vai assumir. O desafio é que ele consiga chegar ao
fim do mês com os recursos estabelecidos. Desafio ainda maior é
você resistir aos apelos dele, caso o dinheiro acabe antes do fim do
mês.
Pais
excessivamente generosos costumam criar sérios problemas aos filhos,
principalmente quando estes se tornam adultos. Estudos mostram que, mais do
que presentes e dinheiro, eles precisam da atenção dos pais,
com exemplos, muita conversa e informação.
Nesta
fase da vida, o mais importante para seu filho não é ter muito
dinheiro na mão, mas aprender a gerir recursos. E, nesse caso, quanto
menos dinheiro, mais seletivo ele terá de ser. Quando se tornar um
adulto, ele precisa ter habilidade com o próprio orçamento.
Esse é um aspecto fundamental para evitar que ele tenha dificuldades
financeiras no futuro.
Qualquer
quantidade de dinheiro poderá se revelar insuficiente se seu filho
não aprendeu, quando criança, os princípios
básicos de gestão financeira pessoal. É uma
lição que ele deve aprender com a própria rotina
doméstica.
Planejamento
financeiro é como escovar os dentes, quanto mais cedo você
ensiná-lo a seu filho, mais facilmente ele se tornará um
hábito. O maior desafio é você incorporar essa
prática à própria rotina. Pois, ao contrário de
escovar os dentes, que você aprendeu quando criança, seus pais
provavelmente também não lhe ensinaram a manusear o
orçamento.
Na
verdade, o que os pais sempre disseram aos seus filhos é para que
lavassem as mãos depois de tocar no dinheiro. As
recomendações paravam aí. Preocupações com
os próprios recursos sempre foram vistas como algo menor, de pouca
relevância para dizer o mínimo.
Anos
de inflação alta só ajudaram a incentivar essa postura pois, com o dinheiro perdendo muito valor todos os dias,
a noção de gestão de orçamento doméstico
ficou ainda mais comprometida.