O consumidor tem o comando
Redes sociais e opiniões de internautas. Na palestra de Andreas Weigend, ex-cientista-chefe da
Amazon.com, a importância de compreender e tirar proveito da Web 2.0.
Na segunda palestra desta
terça-feira (18/08), o ex-cientista chefe da Amazon.com, Andreas Weigend, falou sobre a importância de conhecer e analisar
os hábitos de seus clientes e como isso pode se transformar em algo favorável e
lucrativo para sua empresa. O segredo, segundo ele, está em saber extrair o
máximo possível dos dados criados ou deixados por eles na internet
voluntariamente. Isso implica em compreender a mudança da ordem de importância
na relação cliente-empresa. Na era da Web 2.0, os consumidores estão no
comando.
Weigend iniciou com o exemplo de C2B, o costumer-to-business (cliente para negócio,
em português), da própria Amazon.com, onde começou esse tipo de trabalho. Sua
função era analisar os rastros deixados pelos usuários em suas visitas ao site,
acompanhar seus hábitos e usar esses dados para aperfeiçoar as vendas da
empresa.
“Enquanto o Google você acha o que
quer, dizemos que a Amazon.com ajuda as pessoas a tomar decisões”, diz. Para
isso, foi criado um mecanismo pelo qual os próprios internautas geram críticas
a respeito dos produtos comprados e influenciam outros consumidores indecisos.
Por meio de um aplicativo, o site indica “clientes que compraram este item
também compraram...” e ajuda os indecisos a descobrirem novos produtos. “E o
ser humano é um curioso por natureza”, acrescenta. O impacto dessas
recomendações é de 10% a 25% de aumento nas vendas.
Ainda no exemplo da Amazon.com, Weigend introduziu o conceito do C2C, o costumer-to-costumer
(cliente para cliente). Nesse método de interação, a empresa oferece benefícios
a clientes que lhe indique os contatos de potenciais novos consumidores. “Se
você nos dá o e-mail de cinco amigos e um comprar o mesmo livro que
você, damos um desconto para você em sua próxima compra”, conta, sobre uma
promoção do portal de vendas.
Aí entra em cena o mundo das redes
sociais e como elas podem oferecer conhecimento para empresas. “Aquele
botãozinho ‘share’ (compartilhar) criou uma empresa
que vale entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões: o Facebook”,
afirma. Por semana, sete bilhões de mensagens são publicadas no site, com o
propósito de mostrar ao mundo o que você está fazendo. “As pessoas querem
comentar, participar. Essa é a principal mudança da Web 1.0, que se resumia a
páginas e mais páginas, para a Web 2.0, centrada nas pessoas”, pontua.
Como aproveitar esse tipo de serviço
a favor do seu negócio? O rede de fast-food
Burger King criou uma promoção inusitada.
Oferecia um hambúrguer para cada pessoa que apagasse 10 amigos de sua lista no Facebook. Em uma semana, mais de 250 mil amigos foram
excluídos, o que obrigou o site a cancelar a brincadeira. A lanchonete, por sua
vez, recebeu 25 mil pessoas em suas lojas e conheceu a rede de amizades dessas
pessoas. Outro exemplo vem do portal LinkedIn,
rede social focada em relações de trabalho. O site permite que você saiba
quantas pessoas visualizaram o perfil do usuário. Se ele deseja saber quem
foram essas pessoas, precisará pagar por isso.
Por fim, o C2W, customer-to-world
(consumidor para o mundo). Nessa parte, o palestrante explorou ainda mais a
disposição dos clientes em compartilhar suas impressões e opiniões com outros
usuários.
A partir daí, citou empresas que
funcionam praticamente baseadas em críticas e comentários de usuários. Caso de sites
de viagem que pedem ao público para fazerem as críticas de satisfação ou de
indicar o perfil de um hotel, se é recomendável para casais ou jovens, por
exemplo. Ou então de outro, que oferece uma ferramenta em que o internauta
destaca os destinos para onde quer viajar. “É o mínimo que uma companhia aérea
precisa para lhe oferecer as melhores opções de voo
para o lugar dos sonhos de cada um”, diz.
Weigend citou, nesse momento, a rede
norte-americana Best Buy, que mantém uma equipe de 16
pessoas trabalhando na internet para acompanhar o hábitos
de seus consumidores e até mesmo seguir comentários no Twitter
para descobrir como melhorar o relacionamento com eles e oferecer novos
produtos e serviços. “Foi um risco muito grande que correram, mas no final
valeu a pena. Sinal de que entenderam a mensagem:
hoje, quem está o comando são os clientes”, finalizou.
HSM Online - 18/08/2009
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