Aposentadoria alternativa
Conheça outras opções de
investimentos para quem quer fugir dos tradicionais planos de previdência
Quando o assunto é planejar a renda para a aposentadoria, as
opções de investimento não se limitam aos planos de previdência. Há várias
alternativas e você pode gerir seu dinheiro. A vantagem é a chance de
aproveitar as oportunidades de valorização da renda fixa e variável com
liberdade e menor custo em relação aos produtos tradicionais de previdência.
Além disso, você não irá arcar com as taxas de carregamento e administração que
são cobradas nos planos de aposentadoria.
Se essa for a sua estratégia, saiba que diversificação é a palavra de ordem. É
recomendável que você distribua sua grana em vários ativos financeiros, para
tentar aumentar os ganhos e amenizar os riscos de perdas na hora da sua
aposentadoria. “Se tiver prejuízos em uma aplicação, pode-se compensar com os
ganhos registrados em outra”, diz o consultor Rodrigo Menon, diretor da Beta Advisors, empresa paulista de assessoria em gestão de
recursos financeiros.
A previdência alternativa, porém, é uma opção para poucos. A estratégia só é
indicada para quem tem muita disciplina com as finanças e entende do mercado.
“É preciso seguir à risca um planejamento financeiro muito bem elaborado”, diz
Rodrigo. Além disso, é fundamental ter tempo e disposição para acompanhar as
variações dos principais indicadores econômicos e financeiros. Se não é o seu
caso, procure um bom plano de previdência e não sinta nenhuma culpa.
“Ao fazer poupança para a aposentadoria, ter uma parcela das aplicações
diretamente em ação é um ótimo negócio”, diz Walter Ferreira,
gerente de private banking do Banco Fator, de São
Paulo. Lembre-se, porém, que a presença na bolsa deve ser reduzida com a chegada da aposentadoria.
Mas para fazer investimentos em ações você precisa ter um pré-requisito:
tolerância e sangue-frio, para suportar as possíveis quedas de curto prazo do
preço dos papéis. “O último mês, com baixas da bolsa, pode ser um ótimo teste
para conhecer a sua tolerância ao risco”, diz Walter.
CARTEIRA DE VIÚVA
Para montar uma carteira de ações para a aposentadoria não basta seguir a
composição do Ibovespa (principal índice de negociação da bolsa). “Quem tem
tempo para investir deve dividir as aplicações em duas fases”, diz Jansen Costa, gerente operacional da Ativa, corretora do
Rio de Janeiro. Na primeira, a carteira deve focar ações com potencial de
valorização, para tentar aumentar o patrimônio. Perto da aposentadoria, o foco
são papéis de boas pagadoras de dividendos e com menor risco. Ele sugere papéis
da Companhia de Concessão de Rodovias (CCR) e Vale. Neste momento de muita
incerteza na economia mundial, a análise dos papéis com potencial de
valorização tem um grau maior de incerteza, mas entre eles estão as chamadas blue chips (ações mais
negociadas do pregão). “O ideal é montar a famosa carteira de viúva”, ensina
Walter, do Banco Fator. Este é o apelido dos investimentos em papéis mais
tradicionais, com os melhores fundamentos econômicos e mais liquidez. Na lista
estão Bradesco e Itaú. “Depósitos de pequenos valores com periodicidade vão
proporcionar uma boa valorização média na hora de se aposentar.”
DIVERSIFICAÇÃO
Seja qual for a opção, a regra é diversificar. Por
isso, o consultor Rodrigo Menon, da Beta Advisors,
fez uma sugestão de carteira para juntar dinheiro para a aposentadoria. A
distribuição dos recursos é a seguinte: 10% em ações e 90% em
renda fixa, sendo 45% em fundos DI e 45% em títulos de Certificado
de Depósito Bancário (CDB). A rentabilidade média foi estimada em 0,95% por
mês. “Vale incluir o CDB, porque não tem taxa de administração, como os fundos,
e a rentabilidade, em geral, fica um pouco superior” diz Rodrigo. Com essa
carteira, um investidor de 25 anos que começasse a poupar 200 reais todo mês
poderia chegar a um saldo de 610 000 reais em 30 anos.
IMÓVEIS
Os investimentos imobiliários também estão na lista da poupança para a
aposentadoria. “Os aluguéis podem ser um complemento de renda da previdência”,
diz Rodrigo. Os mais indicados são os imóveis comerciais, que têm um potencial
maior de retorno do aluguel. O ideal é que o valor da locação esteja acima de
1% do preço de venda do imóvel. O investimento imobiliário também é uma boa
para quem planeja deixar herança para os filhos.
Vivendo e aprendendo
O administrador de empresas Frederico Prestes Bernardes, de 24 anos, não ficou
só na teoria. Logo cedo ele colocou em prática o que viu acontecer com os
investidores mais experientes. “Conheci pessoas que tinham aplicado uma quantia
modesta em ações havia mais de 15 anos e depois estavam sacando uma ótima renda
para a aposentadoria. Resolvi fazer a mesma coisa”, diz Frederico, que trabalha
desde 2005 como operador da Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa). “Há dois anos montei uma carteira com papéis de primeira
linha, como Vale e Petrobras. Só vou me preocupar com ela daqui a 20 ou 30
anos”, diz. Cerca de 60% do seu dinheiro está em ações e o restante em títulos
públicos e em Certificado de Depósito Bancário (CDB).
Por Miriam Kênia
http://vocesa.abril.com.br/edicoes/0125/aberto/materia/mt_401001.shtml