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Clube dos Investidores

Tenistas, médicos, professores e estudantes reúnem-se para apostar na Bolsa

Tenistas, médicos, professores e estudantes reúnem-se para apostar na Bolsa. Com isso, reduzem os custos das aplicações

Faça um exercício de imaginação. Sabe aquela típica cena do pregão da Bolsa? Operadores financeiros agitados disputando aos gritos a compra e venda de papéis. Então, congele essa imagem. Agora, tente colocar essa situação dentro de uma quadra de tênis. Impossível? Tente de novo, só que dessa vez use como cenário um consultório médico. Se continua difícil, observe a realidade. Fatos inusitados como esses já ocorrem em universidades, fábricas, teatros e até na praia e fazem parte do projeto Bovespa Vai Até Você. Em São Paulo, o exclusivo Clube Alto de Pinheiros, que reúne as classes média e alta paulistana, abriu espaço para o mercado financeiro. Todas as quintas-feiras, por volta das oito horas da noite, o engenheiro Eduardo Teixeira Júnior, o consultor de empresas Eduardo Di Pietro Sobrinho, a analista de sistemas Walkíria Pervelho e outros tenistas aproveitam os intervalos das disputadas partidas, deixam de lado as raquetes, e discutem estratégias para um outro desafio. Juntos, eles formaram um clube de investimento em ações e estão em busca dos lucros.

Lançado há apenas três meses, o projeto da Bolsa para incentivar as aplicações entre as pessoas físicas por meio de clubes de investimento já mostrou-se bem-sucedido. Nesse período, 17 novos clubes foram criados. Essa modalidade de aplicação é parecida com um fundo de ações. Só que os sócios participam das estratégias de gestão junto com a corretora responsável pelos investimentos. Além disso, são os próprios investidores que definem o valor das aplicações mensais. A única regra é que um aplicador não pode sozinho concentrar mais de 40% do total do patrimônio. Para atrair novos investidores, profissionais da Bolsa fizeram uma série de visitas a vários tipos de instituições. Apresentaram as regras do mercado acionário e prestaram consultoria técnica.

Em uma dessas empreitadas, surgiu o clube de investimento dos tenistas do Clube Alto de Pinheiros. “Descobri que posso planejar a minha aposentadoria com a compra de ações”, diz a analista de sistema Walkíria Pervelho. Outros sócios, como o engenheiro Everardo Teixeira, utilizam essa modalidade de investimento como uma forma de iniciar os mais jovens no mercado acionário. Ele comprou duas cotas de participação no clube, uma para cada um dos seus filhos.

Porém, não são só os novatos que estão aderindo à formação de clubes de investimento. O médico Francisco Erivaldo Alves pode considerar-se um veterano no pregão, pois há dois anos fez a sua primeira aplicação. Ele comprou ações da Vale do Rio Doce por meio do seu FGTS ( Fundo de Garantia). Depois, arriscou uma parcela maior com recursos próprios. A cada passo, o seu interesse pelos lucros da renda variável aumentava. Só que esbarrou em um entrave. “O custo de corretagem para valores mais baixos fica muito alto”, diz Alves. A solução foi formar um clube de ações. Ligou para a coordenação do projeto Bovespa Vai até Você e agendou uma reunião com os colegas de consultório. Só que precisava de, no mínimo, três sócios (pode ter no máximo 150 participantes) para fazer a aplicação. O problema é que apenas um amigo se animou. Acabou convencendo a sua esposa Cíntia, que também é médica, a colocar as suas economias no clube de ações.

O empenho de Francisco Alves para formar o seu próprio clube foi aplaudido com louvor pelo presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho. O clube é uma ótima saída para aumentar o poder de força do investidor. “Juntos, os participantes terão as mesmas condições dos grandes investidores. Com um montante maior de recursos podem fazer operações mais arriscadas e mais promissoras nos lucros. Além disso, os custos são rateados”, afirma Magliano.

Miriam Kênia

Revista Dinheiro





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