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As mídias sociais parecem café. É muito fácil achar estudos que
mostram que elas fazem mal, assim como pesquisas que enfatizam que elas fazem
bem para empresas. Antagônico? Não. Da mesma maneira que ocorre com a bebida,
as redes sociais são estimulantes poderosos, só que contém propriedades que viciam, se consumidas sem controle.
Um caso exemplar de falta de jeito com redes sociais nos negócios
ocorreu no ramo da construção. Conta o diretor de marketing, Romeo Busarello da Tecnisa, que uma construtora concorrente
anunciou o lançamento de um grande empreendimento para o dia seguinte pelo Twitter. "Era uma informação estratégica que
normalmente não seria divulgada." De posse do dado, em 24 horas, a
Tecnisa armou uma verdadeira operação de guerrilha.
No dia do lançamento da concorrente, encheu as ruas da região com
promotores, distribuiu folhetos em cruzamentos, anunciou na mídia e deu um
bônus de incentivo para corretores que levassem clientes para o seu novo
condomínio. A ação ofuscou os planos de sucesso da construtora adversária
Não é por acaso que muitos acham que as redes sociais trazem riscos
para as empresas. Somente 10% de 1,4 mil CIOs de empresas com cem ou mais funcionários
permitem amplo acesso da empresa às redes sociais. O estudo da consultoria
Robert Half Technology
mostra que 54% bloqueiam totalmente o acesso a sites como Facebook,
Youtube e Twitter. Vários
estudos anteriores mostram resultado semelhante. O medo maior é queda na
produtividade e vazamento de informação estratégica, como ocorreu com a
concorrente da Tecnisa. "Há um ano, eu era favorável à ampla utilização
das redes sociais internamente, mas, hoje, sou contra", diz Busarello.
É uma declaração polêmica para uma das empresas que mais exemplificam
o bom uso da web 2.0 nas estratégias de negócio. A construtora está em vários
sites deste tipo e consegue tirar resultados em todos. Recentemente,
vendeu até um apartamento pelo Twitter. A maior
preocupação deve ser com as pessoas e a estratégia do uso. Busarello dá outra lição. "Não são todos os
funcionários que podem tirar proveito das redes sociais e trazer resultados
para o negócio", comenta.
É exatamente esse potencial para o risco e para as oportunidades que
gera tanto estudo com resultados diferentes. A pesquisa Beeline
Labs and the Society for New Communications, conduzida pela Deloitte
com 400 das maiores empresas americanas, descobriu que 94% delas
manterão ou iniciarão estratégias em redes sociais em 2009. Somente 4% não
querem nem entrar nesse mundo.
Na Tecnisa, o uso de sites sociais é restrito a alguns departamentos,
como a informática, o atendimento e o pessoal que faz relação com
investidores. Atualmente, dos 280 funcionários, somente 25 têm acesso
liberado. Entre eles, há um gerente de mídias sociais que passa o dia inteiro
monitorando sites como o Orkut e o Twitter. Foi ele
que descobriu a informação do concorrente.
"As pessoas podem passar 50 minutos conversando bobagem na
internet, isso é ruim para o negócio. Da mesma forma podem gastar duas horas
discutindo em fóruns e blogs internos, e isto é bom", explica Busarello. Para ele, saber lidar com redes sociais não é
ser impetuoso ao ponto de desembestar-se a conversar com todos sobre tudo o
tempo todo. É realmente como o café, entre um aviso de uma possível gastrite
e um conselho para estimular as atividades, consuma com moderação.
por Gilberto Pavoni Junior - especial para
IT Web – 13/10/2009
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social é boa ou ruim para as empresas?&utm_campaign=ITWebDirect
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