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Futuro intocável
O
investidor de previdência privada brasileiro tem provado o seu alto grau de
tolerância a crises. Diferentemente dos fundos de investimento destinados ao
varejo, em geral de prazo mais curto, que viram resgates de R$ 8,5 bilhões em
seu patrimônio nos últimos três meses, a captação de PGBLs e VGBLs segue em
gradual crescimento e soma R$ 2,9 bilhões no ano, R$ 1,108 bilhão apenas
neste mês, segundo dados do site Fortuna. Para Marcelo D'Agosto, diretor do
site, o comportamento faz sentido, uam vez que a
aplicação em previdência privada é de longo prazo e não deve ser mudada por
questões conjunturais.
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Nos
fundos de investimento, os aplicadores estão deixando as carteiras, entre
outros motivos, atraídos pela melhor remuneração oferecida pelos bancos em
CDBs. Na previdência privada, pelas questões tributárias, isso faz menos
sentido, explica Renato Russo, diretor da Federação Nacional de Previdência Privada
e Vida (Fenaprevi). "O investidor só sai
quando realmente precisa do dinheiro para alguma necessidade urgente",
comenta. De todos os produtos de poupança que a pessoa tem, a previdência
privada costuma ser a mais intocável, diz Russo. Mais ainda quando se trata
de aplicação para os menores de idade.
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A
captação da previdência em abril cresceu 35% em relação a março e 28% em
relação a abril de 2007, segundo o Fortuna. Nos 12
meses com fim em abril, a captação cresceu 11% em relação aos 12 meses compreendidos
entre maio de 2006 e abril de 2007.
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Desde a
crise do mercado em 2003, com o lançamento da nova tabela de imposto de renda
regressiva (cuja alíquota cai de 35% a 10% gradualmente em dez anos), o setor
não registra mais saques do que depósitos no período encerrado a cada mês.
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A
impressão de que os investidores são totalmente insensíveis à rentabilidade
de curto prazo dos planos, porém, não é verdadeira, segundo sugerem os dados do Fortuna. Em abril, quando a bolsa de valores brasileira
ainda caminhava vacilante - o anúncio do grau de investimento pela Standard & Poor's saiu
apenas no dia 30 -, os investidores preferiram destinar parte maior de seus
recursos aos planos de renda fixa, em rumo inverso ao verificado até o mês
passado. Segundo o Fortuna, a captação dos planos de
renda fixa subiu de R$ 56 milhões em março para R$ 182 milhões em abril. Enquanto
isso, os planos com renda variável (balanceados e multimercados)
viram a captação cair de R$ 820 milhões em março para R$
728 em abril.
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No entanto,
D'Agosto lembra que não é possível afirmar que se tratam
de planos multimercados ou balanceados no limite
máximo da agressividade (com até 49% de ações) ou planos mais conservadores,
limitados a 10% ou 20% de ações em carteira.
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Esse
limite de 49% em ações, segundo Russo, da Fenaprevi,
acaba restringindo também a volatilidade dos planos de previdência. Não se
viu nos últimos meses, por exemplo, planos de previdência perderem
tanto em rentabilidade quanto os fundos de ações ou multimercados.
Isso faz com que o participante sinta menos impulso de sair também, completa
Russo, que também é vice-presidente de Previdência e Vida da SulAmérica.
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Segundo
Russo, essa captação se deve também às carteiras empresariais, em que
funcionário e empregador costumam aplicar valores fixos mensalmente.
"Dessa fonte, há um crescimento de captação quase vegetativo, que se
amplia pela adoção da previdência privada por mais empresas."
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Outro
fator a favor dos planos de previdência é a interpretação por parte de muitos
de que a aplicação seria uma fatura a ser paga por mês. As seguradoras
costumam mandar boletos aos clientes, para facilitar o recolhimento, diz
Luciano Snel, diretor de produtos da Icatu Hartford. "Porém, se
a crise fosse suficiente para criar uma fuga de investimentos (como ocorreu
na ocasião da mudança do imposto de renda), nada os seguraria", diz Snel, crente da maior consciência do aplicador de PGBLs e VGBLs.
A própria criação da tabela regressiva, que oferece benefício tributário a
quem ficar mais tempo, mas pune aquele que deixa a previdência rapidamente, é
outro fator a reter o aplicador, lembra Russo. "As pessoas ficam mais
porque passaram a
entender a vantagem do benefício fiscal."
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Apesar de arrefecer a procura por planos com ações, o
ritmo de novas aplicações ainda flui em ritmo acelerado para essas carteiras
mais agressivas. Os planos balanceados e multimercados
já somam patrimônio de R$ 20 bilhões, segundo o Fortuna.
Os planos de renda fixa crescem com menos velocidade, acumulando patrimônio
de R$ 62 bilhões no fim de abril. Segundo o site financeiro, o patrimônio
total dos fundos onde investem os PGBLs
e VGBLs está em R$ 98,4 bilhões.
Por Danilo Fariello, de São Paulo
Valor Econômico - 16/05/2008
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