16 respostas sobre previdência
Você ainda se atrapalha com PGBL,
VGBL, imposto progressivo, regressivo, teto de 12% do Imposto de Renda etc.?
Então, tire suas dúvidas agora
Os
brasileiros tinham 3 bilhões de reais na previdência privada há dez anos. Devem
fechar este ano com cerca de 100 bilhões. O incremento deve-se a vários
fatores, entre os quais a falta de confiança na previdência social e os
incentivos fiscais para estimular a poupança de longo prazo. Veja abaixo alguns
esclarecimentos para aqueles que querem entrar nesse mercado
mas não entendem muito bem o que quer dizer suas siglas, conceitos e
custos. Leia, tire suas dúvidas e faça suas opções para garantir uma
aposentadoria tranqüila.
1) O que é previdência privada?
Aplicação financeira com objetivo de complementar a aposentadoria paga pelo
INSS. Hoje, a seguridade social tem teto de pouco mais de 2 000 reais. A
proposta da iniciativa privada é fazer com que as pessoas poupem durante a vida
ativa a fim de ter renda quando pendurarem as chuteiras. No período de
contribuição, pode-se fazer aportes mensais ou
periódicos. Na hora de receber, também é facultativo retirar todo o valor acumulado
ou dividi-lo em parcelas mensais.
2) Onde fazer um plano de previdência
privada?
Há planos fechados e abertos. Os fechados são oferecidos por empresas e essas,
normalmente, fazem um aporte complementar à
contribuição do empregado. Nenhum investimento dobra no ato da aplicação, como
a maioria dos planos fechados. Os abertos são oferecidos por instituições
financeiras e qualquer pessoa pode ter acesso. Várias instituições oferecem
informações e até simulações de contribuição e resgate nos seus sites.
3) O que é PGBL?
Plano Gerador de Benefício Livre. Os depósitos feitos nesse plano podem ser
deduzidos do IR em até 12% do valor da renda bruta
tributável. No momento do resgate, no entanto, aplica-se 27,5% de IR sobre a
contribuição e o rendimento.
4) O que é VGBL?
Vida Geradora de Benefício Livre. Não há dedução do valor investido no IR
anual. No resgate, o IR incide apenas sobre o valor do rendimento.
5) O que é melhor: PGBL ou VGBL?
A diferença está na forma de tributação. Por causa disso, a recomendação é que
as pessoas que fazem o modelo de declaração completa de IR dêem preferência ao
PGBL -- para se beneficiarem da dedução de até 12% da renda bruta. A isenção no
período de contribuição garante rentabilidade sobre o valor deduzido. Na hipótese
de alguém querer destinar à previdência privada mais de 12% da renda, o ideal é
deixar até esse percentual num PGBL e o restante num VGBL.
6) O que é tributação regressiva?
Diminui segundo o tempo de contribuição do plano. A tributação começa com 35% e
reduz 5 pontos percentuais a cada dois anos até o piso de 10%. Por isso, quem
opta por ela deve esperar no mínimo dez anos para retirar o dinheiro. Veja a
tabela da tributação regressiva:
|
Tempo de contribuição ao plano de
previdência
|
Percentual do imposto retido na
fonte
|
|
Até 2 anos
|
35
|
|
De 2 a 4 anos
|
30
|
|
De 4 a 6 anos
|
25
|
|
De 6 a 8 anos
|
20
|
|
De 8 a 10 anos
|
15
|
|
Acima de 10 anos
|
10
|
7) Com que idade eu devo iniciar um plano?
A recomendação é quanto antes, melhor. Quem começa aos 30 anos e quer renda
complementar de 2 500 reais aos 60 anos, por exemplo, terá de investir
anualmente menos recursos do que quem começa aos 40 com o mesmo objetivo, pois,
nesse segundo caso, o tempo de acumulação de recursos será dez
anos menor. Quem tem mais de 50 anos não deve comprar um plano desses se
o intuito for complementar a renda da aposentadoria, porque o aporte financeiro
inicial será muito alto. Neste caso, é recomendável um fundo de investimento
comum, de preferência de pouco risco, como DI ou de renda fixa.
8) Vale a pena comprar um plano para
as crianças?
Levando em conta o longíssimo prazo para acumular dinheiro até a meninada se
aposentar, vale a pena sim. A previdência privada pode ser uma boa forma de
fazer a poupança para pagar, por exemplo, a universidade do filho.
Naturalmente, os pais podem optar por outras formas para concretizar essa meta,
como bolar uma combinação de investimentos em fundos de renda fixa e em ações
de empresas da bolsa de valores. Um diferencial da previdência privada, além do
incentivo fiscal, é que alguns planos têm embutidos seguros de vida, garantindo
a renda da universidade do filho em caso de morte ou invalidez do pai ou da mãe
(dependendo de quem fez o plano).
9) O que é tributação progressiva?
Incide na fonte, sobre os rendimentos, da mesma forma que nos salários. Por
isso, o que determina a escolha por esta opção é o melhor planejamento
tributário, de acordo com as retiradas que você pretende fazer no futuro. Se
houver um resgate total do dinheiro aplicado, serão cobrados na fonte 15%. No
caso de renda mensal, o saque é enquadrado na seguinte tabela do IR:
|
Renda
(em R$)
|
Imposto (em %)
|
Parcela a deduzir (em R$)
|
|
Até 1 257
|
Isento
|
-
|
|
De 1.257 a 2.512
|
15
|
188,57
|
|
Acima de
2.512
|
27,5
|
502,58
|
10) Qual o valor ideal para investir?
Não há valor ideal. Cada cliente opta pelo plano de acordo com a capacidade de
aporte mensal e o objetivo que tem a longo prazo. Dá para começar com apenas 50
reais mensais, por exemplo.
11) Devo colocar todas as minhas
economias em previdência privada?
Não. O ideal sempre é diversificar. Um plano de previdência pode ser uma das
opções.
12) Posso parar de depositar durante um
ou mais meses?
Um aspecto muito positivo dos planos de previdência é a flexibilidade. A qualquer
momento, o aporte mensal pode ser reduzido ou aumentado. Quem contratou um
plano de previdência e perdeu o emprego pode ficar meses sem fazer nenhum
aporte e voltar a fazê-lo depois.
13) Como é a rentabilidade de um plano
desses?
A rentabilidade dos planos de previdência é equivalente à de fundos DI ou de
renda fixa. A maioria dos fundos oferece ao cliente na hora da compra a opção
de escolher o modelo de aplicação. Se totalmente em renda fixa ou parte em
renda variável. Segundo Juvêncio Braga, diretor da Associação
Nacional da Previdência Privada (Anapp), a maioria
dos gestores hoje aplica os recursos integralmente ou a maior parte em fundos
de renda fixa. Com
a tendência de redução dos juros haverá migração de parte dos
ativos para renda variável. A rentabilidade pode ser acompanhada no site das
instituições.
14) Como e quando posso resgatar meu
dinheiro?
Os planos de previdência são investimentos de longo prazo. Ao fim do período de
investimento, o cliente escolhe se quer receber tudo de uma vez só ou em
parcelas mensais.
15) Como escolher a instituição
financeira?
A taxa de administração varia muito entre os bancos. O ideal é escolher uma
instituição que não cobre mais de até 2%. Outra coisa interessante desses
planos é que o cliente tem portabilidade, podendo transferir seus recursos entre
bancos quando achar que vale a pena. Pode fazer a troca de gestor quantas vezes quiser, desde que respeite a carência de seis
meses da portabilidade.
16) Com quais custos eu tenho que arcar
para ter um plano de previdência privada?
São dois tipos de custo: a taxa de carregamento (que cobre as despesas de
manutenção dos ativos que formam a carteira de investimento do plano) e a de
administração. A taxa de carregamento varia de 3% a 5%. Já a de administração
vai até 2%. Se a instituição cobrar taxa acima de 2%, procure outra, pois ela
estará cobrando caro demais para administrar seu dinheiro.
Por Fabia
Prates
http://vocesa.abril.com.br/edicoes/0102/fechado/dinheiro/mt_197421.shtml