Calcule seu futuro
Reveja com freqüência suas
contribuições, porque elas precisam acompanhar a evolução do seu padrão de vida
Só poupar para a aposentadoria não é suficiente. Para ter a
renda que você espera no futuro é preciso fazer um planejamento financeiro. A
partir dele você pode definir quanto e como poupar para atingir seus objetivos.
A regra básica é: quanto mais tempo, menor o esforço. Quem começar aos 20 anos
irá aplicar 266,44 reais mensais para garantir uma renda de 5 000 reais durante
a aposentadoria. Quem começar aos 30 anos vai ter de economizar 700 reais. Se o
objetivo é manter o mesmo padrão de vida depois que parar de trabalhar, você
terá de rever com freqüência os valores dos depósitos mensais. As cifras
precisam acompanhar as mudanças econômicas e os aumentos salariais. “Se há
demandas financeiras mais importantes, estipule um mínimo para a previdência”,
diz Luciano Snel, diretor de produtos da seguradora Icatu Hartford, do Rio de
Janeiro. Mas saiba que cada interrupção no investimento vai comprometer seus
projetos para o futuro. “Muitas pessoas se iludem com a aposentadoria
privada. Fazem aplicações de vez em quando e sem planejamento”, diz Luciano.
Dessa forma, podem ter uma grande decepção. Na hora de receber os benefícios é
provável que falte dinheiro. “Vai lamentar cada real que deixou de poupar”, diz
Marco Antônio Rossi, diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência, de São
Paulo e vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi).
Por isso é fundamental saber quanto poupar e escolher os produtos certos. Um
Plano Gerador de Beneficio Livre (PGBL) ou um Vida
Gerador de Beneficio Livre (VGBL)? Com mais aplicações em ações ou apenas em
renda fixa? A decisão pelo modelo do plano é basicamente uma questão
tributária. Quem faz a declaração do Imposto de Renda (IR) no modelo completo
deve optar pelo PGBL. Com ele, pode-se abater as
aplicações feitas ao longo do ano da renda tributada até o valor equivalente a
12%. Se não é o seu caso, o VGBL é o mais indicado. Há ainda uma terceira
opção. “Uma combinação entre os dois produtos”, diz Arizoly
Rodrigues Pinto, superintendente de negócios e varejo da BrasilPrev, seguradora
do Banco do Brasil, de São Paulo. Aplica-se o equivalente a 12% no PGBL, para
aproveitar o incentivo fiscal, e o restante vai para o VGBL. A escolha da
categoria do produto vai depender do tempo do investimento e do perfil de risco
de cada um.
Os jovens podem optar pelo investimento com maior participação em renda variável. Essa
fatia em ações deve diminuir de acordo com a proximidade da
aposentadoria. Na hora de fazer o planejamento para se aposentar, também é
preciso considerar os projetos pessoais. Quem pretende curtir os anos de
descanso viajando e com um padrão de consumo alto terá um investimento bem
diferente daquele que prefere abrir mão dos gastos para deixar uma herança para
os filhos. O valor certo da contribuição varia conforme os objetivos do
investidor, o padrão de vida e os projetos futuros. De maneira geral, as
seguradoras calculam que uma pessoa aposentada consiga viver com 70% do último
salário. A informação pode não ajudar muito.
Se você está começando a carreira, como vai saber quanto irá receber daqui a 20
ou 30 anos? Considere que os gastos com saúde tendem a aumentar bastante com o
passar dos anos. Já as despesas com educação devem ser reduzidas até você
pendurar as chuteiras. Outra dica dos especialistas é observar o padrão de vida
de algum aposentado. Encontre aquele que tenha um estilo que você considere
adequado. Calcule os gastos básicos dessa pessoa. A partir daí, faça as
projeções. As simulações de renda de aposentadoria das seguradoras também podem
ajudar nessa hora. Mas, no momento de utilizar os simuladores, é preciso
prestar atenção em um item muito importante: as tábuas de vida da população.
TÁBUAS DE VIDA
As seguradoras calculam a renda da aposentadoria considerando a estimativa de
quantos anos o participante irá viver. Para fazer os cálculos, as instituições
nacionais utilizam tábuas de vida da população dos Estados Unidos, como as
chamadas AT 49, AT 83 e AT 2000,
a mais recente. O número que acompanha as siglas
refere-se ao ano em que a tábua foi elaborada. Em cada uma a expectativa de
vida é diferente e como conseqüência o valor da renda paga pela seguradora
também. Quanto maior as chances de viver por mais tempo, menor o benefício. As
companhias que utilizam tábuas antigas podem oferecer um melhor benefício. Mas
o investidor corre mais risco porque, no final, as contas da seguradora podem
não fechar.
Atualmente, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep)
— órgão responsável pelo setor —, a tábua americana 2000 é considerada a mais
eficiente. Então, na hora de comparar as rendas pagas pelas seguradoras,
informe-se também sobre as tábuas usadas. Em breve, os métodos de cálculos
entre as seguradoras devem estar padronizados. A Federação Nacional de
Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) está
concluindo uma tábua biométrica nacional, que será adotada por todas as
companhias brasileiras a partir de 2009.
Por Miriam Kênia
http://vocesa.abril.com.br/edicoes/0125/aberto/materia/mt_400989.shtml