Imóvel novo... ou usado?
O que
pesar na balança para saber se vale a pena ser o primeiro proprietário de um
apartamento ou se é melhor adquirir um mais antigo
Os músicos Myrthes e Natan Marques estão de mudança para um
apartamento em Perdizes, na zona oeste da capital paulista. O imóvel não possui
nenhum equipamento de lazer, em contraste com a fartura do prédio
onde o casal mora atualmente, no bairro vizinho de Sumarezinho,
um condomínio que conta com playground, piscina, quadra esportiva, academia e
churrasqueira. “Quando nosso filho era ainda uma criança, fazíamos as festinhas
de aniversário na área da churrasqueira”, diz Myrthes.
“Mas hoje ele tem 19 anos e não passa mais as tardes na piscina ou jogando
bola.” O casal tinha a opção de adquirir um imóvel novo com ainda mais serviços
ou procurar um apartamento usado. Pesando os prós e os contras, Myrthes e o marido chegaram à conclusão de que valia a pena
comprar um imóvel mais antigo, de 190 metros quadrados
— praticamente o dobro do tamanho do atual. Para compensar a ausência de opções
de lazer, o futuro endereço tem cômodos mais espaçosos, janelas amplas e
pé-direito alto.
Em grandes cidades, como São Paulo, o tamanho médio dos apartamentos
encolheu em torno de 20% nos últimos 25 anos, de acordo com estimativa do
empresário Maurício Eugênio, da consultoria Elite Inteligência Imobiliária.
Para quem valoriza o espaço e não está disposto a
gastar mais por isso, como é o caso de Myrthes e
Natan, a melhor alternativa é comprar um imóvel mais antigo. Em geral, um
imóvel que nunca foi habitado custa pelo menos 30% mais que um usado em
excelente estado de conservação, do mesmo tamanho e na mesma região. Essa
diferença tende a aumentar porque, antes de receber os moradores, os imóveis
zero-quilômetro precisam de acabamentos, revestimentos e itens como armários,
gabinetes, louças de banheiro e de cozinha, chuveiros, espelhos de luz e
tomadas — detalhes que, dependendo da qualidade do acabamento e das peças,
podem representar um gasto adicional de até 30% do valor do imóvel.
Embora os imóveis em prédios recém-construídos sejam mais caros, eles
têm a vantagem da liquidez. Como a demanda por apartamentos com até sete anos é
grande, a revenda costuma ser, em média, mais rápida e mais próxima do preço
pedido pelo proprietário. Outro ponto a favor dos novos é a taxa de
valorização. Um levantamento do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) aponta que, em 2007, o preço dos imóveis usados
subiu bem menos que o dos novos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, os usados
tiveram valorização de cerca de 10% no ano passado. Já os novos subiram 19% em
bairros de maior potencial, como Tatuapé e Morumbi. Levando-se em conta a
projeção de que esses percentuais serão mantidos nessa proporção nos próximos
anos, não resta dúvida de que os imóveis novos são mais atraentes do ponto de
vista estritamente financeiro. “O problema é que a aquisição da casa onde sua
família vai morar não é mera aplicação financeira, não dá para pensar apenas no
possível retorno que dará”, diz Sergio Manoel Correa, consultor financeiro da
LLA Investimentos. Correa argumenta que a casa própria precisa, acima de tudo,
atender aos anseios dos moradores. “É o caso de uma pessoa que gosta de morar
no térreo ou no 1o andar para ficar de frente para a copa de árvores ou para
não precisar pegar o elevador”, diz Correa. “Alguns dirão que os andares altos
são os mais valorizados, mas é preciso privilegiar a qualidade de vida e a felicidade do morador
no dia-a-dia.”
Na tentativa de seduzir os potenciais compradores, as construtoras têm
projetado prédios para atender às necessidades da vida moderna. Os cômodos já
vêm preparados para a instalação de ar-condicionado e são repletos de pontos de
saída de luz (tomadas), de telefonia e de TV a cabo. A cozinha tem
nichos para receber fornos de microondas e lavadoras de pratos. Na garagem, o
número de vagas é maior do que nos imóveis usados — um apartamento de quatro
dormitórios costuma ter ao menos três vagas.
Num prédio mais novo, é comum a segurança contar com circuitos internos
de vídeo e profissionais de empresa especializada que fazem ronda 24 horas por
dia. A estrutura de lazer — que pode incluir salas para balé e musculação,
piscina para hidroginástica, brinquedoteca e lan house — elimina o
inconveniente dos deslocamentos em grandes cidades. É por isso que, enquanto Myrthes e Natan decidiram migrar para um imóvel mais velho,
o casal Francisco e Daniela Sanches resolveu trilhar o caminho inverso. Eles
aguardam ansiosamente a conclusão das obras de um apartamento que compraram num
condomínio no bairro da Aclimação, na zona sul de São Paulo. Um dos maiores
atrativos é o playground, onde seus dois filhos poderão brincar em segurança.
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O que você procura?
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Compare as principais vantagens da
compra de um imóvel novo ou usado
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Novo
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Mais moderno, tem mais liquidez se você decidir
revender o imóvel
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O espaço é distribuído de forma mais funcional, com
terraço integrado à sala e suítes
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Possui mais equipamentos de lazer e esportes e
serviços de conveniência
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Usado
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Você tem maior poder para barganhar descontos no
valor de aquisição
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Tem acabamento e itens básicos ausentes num imóvel
novo, como gabinetes e armários
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Tem cômodos mais amplos. Em geral, o pé-direito é mais
alto e as janelas são maiores
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Os dois exemplos acima mostram que a escolha de um imóvel novo ou usado
depende das prioridades e das necessidades de cada um. Se a pessoa busca espaço
e preço, o imóvel antigo pode ser a alternativa mais interessante, de maneira
geral. Se ela valoriza mais a conveniência e a infra-estrutura de lazer, o
imóvel novo tende a ser a
melhor opção. Há vários outros aspectos para analisar e
colocar na balança. Um deles é o valor do condomínio. A
exemplo do que ocorre com um carro com vários anos de fabricação, um
imóvel usado se deteriora mais rapidamente e pode exigir gastos imediatos com
pintura e manutenção de tubulações e rede elétrica. “Para comprar um imóvel com
mais de 30 anos, é preciso redobrar a atenção com a qualidade dos material usado”, diz o consultor Eugênio, da Elite
Inteligência Imobiliária. Os prédios novos são administrados por empresas
especializadas, o que, teoricamente, aumenta a chance de manter os custos sob
controle. Os gastos com
a estrutura e os equipamentos são geralmente rateados entre
um número alto de unidades, o que reduz o valor que cabe a cada morador.
Por Juliana Garçon
http://portalexame.abril.uol.com.br/revista/exame/edicoes/0925/investimentospessoais2008/m0166299.html