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Mudanças de Padrão dos Orçamentos Familiares

Mudanças de Padrão dos Orçamentos Familiares

Uma triste conclusão a respeito do significado do último estudo do IBGE

Viajando para o exterior no dia em que os jornais publicaram os novos padrões de consumo do povo brasileiro "POF" do "IBGE", imediatamente me pus em campo para analisá-los em maior profundidade.

Já no exterior e pela maravilhosa ferramenta que é a Internet confirmo e analiso os dados lidos nos jornais e, estupefato pelo que interpreto, me apresso em dizer o que penso a respeito, indagando a mim mesmo se outros leitores chegam às mesmas conclusões que eu cheguei.

Há tempos eu já desconfiava de que grandes mudanças estavam ocorrendo em nosso país e que estas mudanças não estavam ocorrendo na direção positiva…

O levantamento feito pelo IBGE em 48.000 lares brasileiros, entre 2002 e 2003 ultrapassou a minha mais pessimista avaliação.

Vamos aos fatos.

Os meus estudos, na qualidade de Planejador Financeiro Pessoal, geralmente incluem o item alimentação apenas em sua relação meramente financeira, mas me chocou que este item do orçamento doméstico diminuiu dramaticamente na mesa do nosso povo desde os anos 1974/975 de 33,91% para 20,75% nos anos 2002/2003. Para mim esta diminuição significa nada mais nada menos que perda de qualidade de vida e nunca diminuição genérico do preço dos alimentos como é o entendimento querendo ser dado ao fenômeno.

No mesmo período citado, no item habitação ocorreu um aumento de gastos de 30,41% para 35,50%, significando obviamente que para morar melhor alguém teve de se alimentar menos. Esta lógica está de acordo com a lei de Lavosier que diz que na natureza nada se perde e nada se ganha e que tudo se transforma… ou seja mais despesas com habitação as custas de menos alimentação.

Sabemos todos como é difícil hoje conquistar a casa própria e como esta meta continua sendo sonhada por milhões de nossa gente.

Lembro com saudade os tempos do B.N.H. (Banco Nacional de Habitação), quando a Caderneta de Poupança e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço davam abrigo ao sonho de brasileiros da maioria das classes sociais, que de outra maneira não tinham possibilidade de adquirir a sua moradia. Na época havia suficiente dinheiro em caixa para a classe média e popular sonhar com esta conquista. O sonho bruscamente acabou com o uso indevido do dinheiro do povo pelos políticos momentaneamente no poder. A maior conseqüência derivada deste fato também foi a perda de emprego por parte de centenas de milhares de trabalhadores da construção civil.

Nestes quase trinta anos entre 1975 e 2004 os impostos dobraram de peso. Pagávamos 5,27% do que ganhávamos para custear a máquina governamental e agora pagamos 10,85% do que ganhamos e este dinheiro infelizmente na maioria das vezes nem é usado para nos dar maior segurança, melhores condições de saúde pública e uma aposentadoria mais tranqüila.

Este aumento de 100% em minha interpretação significa apenas que a máquina governamental não se aprimorou nestes trinta anos, tornando-se mais eficiente como deveria ter sido. Esta eficiência deveria até ter sido dezenas de vezes ampliada pela introdução da informática e do aprimoramento de sistemas burocráticos…

Ocorreu o contrário, pois Municípios, Estados e Federação não aumentaram apenas suas despesas com impostos, taxas e contribuições, mas incharam desproporcionalmente com os amigos e familiares dos quadros políticos momentaneamente no poder.

E o que aconteceu com a nossa educação pública? Esta também encolheu pelo empobrecimento do ensino público. Os bons e fieis professores abandonaram suas carreiras ou tiveram de debandar para as escolas particulares que cobram demasiado… Gastos de 2,28% do orçamento doméstico em 1974/1975 passaram em 2002/2003 para 4,08% neste item! Dobraram, acreditem se quiserem e nossos filhos estão performando cada vez pior em levantamentos internacionais que medem a qualificação escolar dos estudantes do mundo inteiro.

Enquanto as cidades estão cada vez mais atulhadas de pessoas, as habitações destas mesmas pessoas estão cada vez mais afastadas do seu trabalho. Consequentemente o transporte que cobrava 11,23% do orçamento doméstico agora anda pelos 18,44%!

Pagam hoje em dia mais para poder ir ao trabalho e tem de diminuir seu já pouco lazer e estar junto à família pois levam às vezes horas em trens, ônibus e metrô para ir e vir.

Para finalizar faço a mim mesmo e aos caros leitores a seguinte pergunta: será que compensou ter hoje em dia modernos Celulares, DVD, TV a Cores em telas enormes e outras amenidades suavizadores, para em compensação estar endividado até o pescoço?

Sim porque os mesmos levantamentos dizem que 85% da nossa população não tem suficiente receita para chegar ao fim do mês com seus magros ganhos.

O dístico popular de "não haver suficiente mês no fim do salário" agora é uma triste realidade.

Sugiro que pensemos a respeito do significado dos números mostrados e indignados, busquemos uma solução nacional para esta situação que não pode perdurar!

Louis Frankenberg,CFP™

Lisboa, 28.5.2004




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