Entenda os sistemas previdenciários do Brasil
Fórum da Previdência é
lançado com missão de resolver rombo de R$ 42 bilhões.
Esse, no entanto, não é o único - nem o maior - déficit previdenciário do governo.
O Fórum da Previdência
Social começa nesta segunda-feira (12), em Brasília, com a missão de resolver
um rombo de R$ 42 bilhões nos cofres do governo federal. Durante seis meses,
representantes de trabalhadores, empregadores e governo vão elaborar
de uma proposta de reforma. Hoje, a arrecadação previdenciária não é suficiente
para pagar todos os benefícios e o governo tem de tirar dinheiro de outras
áreas para pagar aposentadorias e pensões. O problema é simples: há pouca gente
contribuindo e muita gente recebendo.
Prova disso é que, em
apenas dois anos, o déficit do sistema aumentou em R$ 10 bilhões, passando de
R$ 32 bilhões, em 2004, para R$ 42 bilhões, no ano passado. E o número de
pessoas pedindo aposentadoria, que tem um impacto direto no déficit, não
pára de crescer: passou de 3,5 milhões, em 2004, para 3,9 milhões, no ano
passado.
Entretanto, o Fórum da
Previdência Social vai se concentrar em apenas parte do problema previdenciário
do governo brasileiro. Isso porque a Previdência Social só diz respeito aos
trabalhadores do setor privado. Existe um sistema separado para os servidores
públicos, que tem um déficit muito maior.
Nas três esferas do
poder público (federal, estadual e municipal), o saldo negativo chega a R$
70 bilhões, e não existem mudanças contábeis a serem feitas para reduzir este
número. "O déficit do regime de aposentadorias dos servidores federais é
de R$ 35 bilhões, e estima-se que o número dobre com a conta de estados e
municípios", disse ao G1 o ex-ministro da Previdência
José Cechin.
O consultor em previdência Renato Follador, responsável pela
criação da Paraná Previdência, sistema de aposentadorias do estado do
Paraná, afirma que a situação no serviço público é mais grave que na
iniciativa privada. "O déficit nas aposentadorias dos servidores federais
é de R$ 35 bilhões, para pagar 1 milhão de benefícios", explica, lembrando
que o sistema do setor privado atende 24,6 milhões de pessoas.
O rombo é maior entre os servidores públicos, explicam os especialistas, por
uma só razão: os benefícios a eles pagos são muito mais altos. Enquanto na
Previdência Social boa parte dos trabalhadores recebe o salário mínimo, os
trabalhadores do governo federal admitidos até 2003 têm o direito de receber o
último salário da ativa. Por isso, o déficit, que já é grande, tende a aumentar
muito mais rápido que o debatido pelo Fórum da Previdência.
Contribuição
Na opinião
dos especialistas ouvidos pelo G1, o Fórum da Previdência
só terá sucesso se atacar o problema pelos dois lados: reduzir o benefício
de quem contribui pouco e, assim, incentivar que as pessoas a pagar o INSS
durante a vida produtiva. Segundo Cechin, como hoje o trabalhador sabe que
está garantido mesmo sem contribuição, ele foge do sistema. "É
preciso que o trabalhador receba conforme o que pagou", ressalta.
O consultor em previdência Mauro
Borges concorda. "É preciso encontrar uma maneira de
desinformalizar a previdência em tempos de crescimento do mercado informal de
trabalho", comenta. Para Borges, parte da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) poderia ser usada como
poupança previdenciária do trabalhador que hoje está na informalidade.
"Desde que o pagamento fosse considerado de forma individual, que cada
trabalhador poupasse conforme o que pagou de CPMF", explica.
Follador prega que o
sistema mude radicalmente. Para ele, o INSS deveria ficar responsável por
benefícios de até três salários mínimos. Acima disso, na opinião do
especialista, o governo deveria criar um sistema de capitalização em que
cada trabalhador faria sua poupança para ter um benefício superior no futuro.
Os especialistas são
favoráveis à reorganização contábil que o governo quer promover no sistema de
aposentadorias brasileiro. O ministro da Previdência, Nelson Machado, quer
retirar os benefícios por idade e os pagos a trabalhadores rurais da conta da
Previdência Social e transferi-los à assistência social. Com o INSS
concentrando-se somente nos benefícios pagos aos trabalhadores urbanos, o
déficit previdenciário cairia para R$ 3,8 bilhões, de acordo com o
ministério.
Saiba mais, clique
aqui
Fernando Scheller Do G1, em São Paulo
http://g1.globo.com/Noticias/