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E quanto ao pacote de socorro para a pessoa física?
Temos
assistido nas últimas semanas à abertura dos cofres públicos de vários
países para socorrer as economias em crise. São bilhões de dólares e
euros destinados à compra de instituições financeiras e seguradoras, além
de linhas de crédito aos setores produtivos e ao consumo. Tudo para
vencer o temido fantasma da recessão, que já assola oficialmente o Japão
e a Alemanha.
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Aqui
no Brasil, temos visto o esforço do governo em várias frentes: alterações
no compulsório deram fôlego a bancos pequenos e médios. Além disso, novas
linhas de crédito foram direcionadas ao setor produtivo, às exportações e
ao consumidor final. De acordo com o ministro Mantega,
o governo adotará as medidas que forem necessárias para assegurar
crescimento da economia de 4% no próximo ano. O presidente Lula, por sua
vez, convoca a população a consumir, a fim de dar
continuidade ao ciclo de crescimento do país. Esta época do ano é mais um
empurrãozinho às compras: 13º salário, compras
de Natal, férias das crianças, etc. Afinal, o Brasil não pode parar,
certo?
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Não
quero ser a "desmancha-prazeres" de plantão. Contudo, acho
importante trazer algumas reflexões a tona, especialmente nestes momentos
em que a racionalidade fica em segundo plano e o impulso toma conta do
nosso comportamento econômico. Cuidado com as "cenourinhas" que
estão sendo colocadas na nossa frente!
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1) Não existe crise de crédito
no mercado brasileiro
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Embora
o ritmo de crescimento do crédito tenha diminuído, a relação crédito/PIB
atingiu o recorde de 40%. O que é preciso lembrar é que, apesar de não
existir evidência de crise de crédito no Brasil, o crédito está mais
caro. A taxa média vem subindo nos últimos meses, atingindo 43% em
outubro (e subindo em
novembro). A propósito, quando foi o último reajuste do
seu salário? Qual foi o percentual?
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Compre
seu imóvel já, mude no Natal e ganhe um carro zero de presente. Quando a
esmola é demais... Você, que não é santo, tem de desconfiar. Já vimos que
o crédito está mais caro. Quando você assume um financiamento de longo
prazo, a taxa de juros mais elevada deixa o valor final do imóvel lá nas
alturas (mesmo que você tenha comprado o primeiro andar). Seu sonho pode
esperar mais seis meses? Provavelmente até lá, os altos preços de hoje
não se sustentem. Entretanto, fica difícil adiar a felicidade de ter a
casa nova já. Temos comportamento de crianças - quero agora! -, só que o
brinquedo é de adulto.
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O
carro zero de presente merece uma consideração especial. Não é novidade,
aliás. Lembro que na década de 90, quando o Fusca foi relançado, tinha
ofertas do tipo: "Compre uma Quantum e leve um Fusca de
presente". O fato é que o "grátis" tem um apelo
irresistível para nós. Costumamos pagar qualquer preço para obter alguma
coisa grátis.
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3) Nunca esteve tão barato comprar
um carro de luxo!
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Taxa de 0,99% ao mês, IPVA 2008 grátis (claro, afinal
estamos em dezembro) e IPVA 2009 de presente! Tudo em letra maiúscula no
jornal e ainda com fotos! Você já está se vendo dirigindo o carrão,
sentido aquele irresistível cheirinho de carro novo. Não faz mal se você
ainda não acabou de pagar as 72 parcelas do teu atual carro popular. E,
claro, você também não quer pensar no valor do seguro, nem no consumo
maior de combustível. "Eu dou um jeito", você diz. Será mesmo?
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Costumamos
ser excessivamente otimistas em relação ao que conseguiremos fazer no
futuro. Já nos propusemos andar na esteira todos os dias e emagrecer
quatro quilos no próximo mês. Conseguimos?
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Não
se iluda. A taxa do cheque especial e do cartão de crédito continua
exorbitante. A gasolina continua cara, apesar da queda no preço do
petróleo. O IPVA que você ganha de presente ao comprar o carro zero já
está embutido no preço e as tarifas cobradas elevam o custo dos
financiamentos anunciados.
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Suas
dívidas não serão perdoadas. Se você fizer uma boa negociação, o máximo
que vai conseguir é alongar prazos e diminuir a taxa de juros (de 10%
para 5% ao mês, na melhor das hipóteses). Aliás, a nossa taxa real de
juros (descontada a inflação) continua sendo a mais alta do mundo.
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Não
existe pacote de socorro do governo para a pessoa física. Não existe
mágica que faça suas dívidas sumirem ao estalar os dedos. Existe, sim, um
planejamento financeiro adequado e um uso consciente do crédito. Reflita
sobre isso na hora de escrever sua cartinha para o Papai Noel (ou será
que ele também não existe?)
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Rosario Pujado
é sócia da Practa Treinamento, ministra cursos
sobre Planejamento Financeiro e possui a certificação Certified
Financial Planner (CFP)
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Este artigo reflete
as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se
responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou
por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas
informações.
Valor Econômico - 01/12/2008
http://clippingmp.planejamento.gov.br/
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