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A guerra dos bancos


Uma grande discussão está balizando a atividade bancária do País por esses tempos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, empunhando os números vistosos do balanço do Banco do Brasil, apontou que os bancos privados vão comer poeira caso não se adaptem à era das taxas de juros mais baratas. O presidente do Itaú, Roberto Setubal, dias antes havia dito que as taxas dos bancos públicos são insustentáveis.

O assunto começou a tomar forma quando o Banco do Brasil, assumindo o seu papel natural de liderar o barateamento do crédito para estimular a economia, foi acusado ainda em fins do ano passado de sofrer interferência política numa área eminentemente técnica - a que responde pela definição das taxas de juros praticadas na instituição. Ignorando ataques de todos os lados, o BB seguiu em frente na estratégia, diminuiu o spread, financiou os tomadores com dinheiro mais barato que a concorrência e angariou um surpreendente desempenho, capaz de recolocá-lo mais uma vez na liderança do ranking dos bancos brasileiros (leia reportagem de capa à pág. 90).

Os bancos privados seguem apresentando crescimento mais robusto nos percentuais de lucros, mas as carteiras de crédito de bancos oficiais como o BB e a Caixa estão subindo exponencialmente. Somente o BB registrou um aumento de 32,8% na sua carteira total de crédito. Na prática, esse movimento sinaliza uma potencial ampliação da quantidade de clientes e, por tabela, no número de negócios que devem gerar mais lucro lá adiante.

Por caminhos diferentes, as duas táticas - a dos bancos públicos e a dos privados - são sustentáveis no longo prazo e carregam justificativas razoáveis. Em tempos de crise, era previsível e prudente que instituições privadas, mais sensíveis ao risco, fossem conservadoras, seletivas na liberação de recursos e oferecessem taxas mais caras.

Estavam em busca de um fortalecimento de caixa para resistirem ao cenário previsto de oscilações financeiras mais bruscas e de uma escalada da inadimplência. Nesse momento, com estilos complementares de atuação no mercado, as várias instituições, oficiais ou não, saíram ganhando. A mudança de quadro para um estágio econômico pós-crise amplia ainda mais as possibilidades de ganhos de todos os agentes da banca.

Autor(es): Carlos José Marques
Isto é Dinheiro - 24/08/2009
http://clippingmp.planejamento.gov.br/






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