10 táticas para avançar na carreira
O que as
melhores companhias esperam de seus funcionários – para contratar, promover e
dar recompensas
Houve um tempo em que as
companhias se contentavam com funcionários que exibissem experiência e sólido
conhecimento técnico. Com o ritmo de mudanças aceleradas implantado pela
globalização e pela era digital, elas passaram a buscar quem combinasse a tal
base de conhecimentos com a capacidade de aprender continuamente. Isso já não
basta. O profissional ideal agora precisa exibir algo bem mais intangível: o
comportamento adequado. Personalidade, postura, engajamento e adesão aos
valores da empresa viraram pré-requisitos. “Hoje, atributos comportamentais têm
o mesmo peso que a bagagem técnica na hora de contratar ou promover um
funcionário”, afirma Suely Agostinho, diretora de recursos humanos da
fabricante de máquinas Caterpillar. É claro que a postura ideal de um empregado
varia de acordo com a cultura da empresa. O funcionário-padrão da AmBev, um
ambiente de altíssimas taxas de cobrança e recompensa, será sempre diferente do
funcionário ideal da Serasa Experian, que valoriza o
equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Mesmo assim, é possível mapear
características que são valorizadas em qualquer boa empresa. Nós as esmiuçamos
a seguir, a partir do depoimento de chefes de RH de algumas das 100 Melhores
Empresas para Trabalhar.
1.
TEM DE SABER FAZER TUDO
Fazer bem o trabalho habitual não é suficiente. O funcionário precisa se
mostrar capaz de realizar múltiplas funções. “Nosso profissional de vendas
também deve saber montar uma base de dados com informações de mercado e traçar
uma estratégia de marketing com essas informações”, afirma Deli Matsuo, diretor de RH do Google. Funcionários da base, como
atendentes em lanchonetes do McDonald’s, também devem
aprender de tudo se tiverem pretensões de ascender. “Um atendente pode chegar a
executivo, mas antes deve aprender todas as funções”, diz Sheila Leme, gerente
nacional do McDonald’s.
2.
TENHA O ESPÍRITO DA GERAÇÃO Y
Apesar de o
conceito restringir esse grupo às pessoas nascidas a partir de 1980, ou ainda
depois, é possível ter características da geração Y em qualquer idade. Faz
parte desse grupo quem consegue realizar várias tarefas ao mesmo tempo, desafia
regras a fim de inovar, gosta de estruturas flexíveis e assimila facilmente
mudanças tecnológicas, sociais e comportamentais. Apesar de o Google rejeitar o
rótulo, a maior parte de seus funcionários se enquadra na descrição. “Esperamos
que nossos funcionários contestem as decisões de seus
líderes, que não se contentem com o convencional e acompanhem o ritmo de
mudanças da sociedade”, afirma Deli. (Atenção: em empresas tradicionais e
hierárquicas, seguir esse conselho pode ser prejudicial.)
3.
SIM, BONS RESULTADOS AINDA CONTAM MUITO
Em qualquer empresa, os primeiros a ser promovidos são os que consistentemente
apresentam bons resultados. Nas mais agressivas, como a AmBev, isso é claro: as
metas de produtividade devem ser quebradas constantemente (o que exige esforço
extraordinário). Para compensar os sacrifícios, esse tipo de empresa tende a
oferecer salários e benefícios bem acima da média. “Para vencer aqui, é preciso
estar alinhado com nossa política de superação de metas”, afirma Thiago Porto,
diretor de desenvolvimento de pessoas da AmBev.
4.
GANHA MAIS QUEM SE PREOCUPA COM OS OUTROS
Cada vez mais as empresas vêm valorizando quem se envolve realmente com
programas sociais e ambientais transformadores. “Nós sondamos as opiniões dos
candidatos sobre os temas sociais e damos prioridade aos que tiveram algum
engajamento, como trabalho em ONGs e programas de voluntariado”, afirma Milton
Pereira, da Serasa Experian. Faz sentido. Esse
profissional geralmente é mais apto a fazer com que os produtos e serviços da
companhia atendam às necessidades do mercado.
5.
EMPREENDEDOR OU EMPREGADO? OS DOIS
A aparente
contradição já faz parte do vocabulário do RH de quase todas as empresas. Elas
promovem e recompensam os funcionários capazes não só de detectar problemas,
mas também de resolvê-los por conta própria. “Tudo o que ocorre na empresa é
responsabilidade do funcionário. Não queremos que ele acione o chefe por
qualquer coisa”, afirma Deli, do Google. A Caterpillar incrementou o
tradicional sistema de sugestões dos funcionários com metas: cada funcionário
deve apresentar anualmente 14 propostas, todas assinadas. Para detectar se o
candidato é empreendedor, muitos recrutadores esperam que ele seja capaz de dar
sugestões para melhorar ou inovar.
6. NÃO PROMETA, MOSTRE O QUE JÁ FEZ
“Quando um candidato chega me prometendo
esforço e comprometimento, eu desanimo”, afirma Shane
Smith, da Coca-Cola. “Quero que me convençam com provas de competência, não com
promessas.” O que ele diz é que exemplos de tarefas bem-sucedidas valem mais
que uma hipotética demonstração de talento. O mesmo vale para as promoções.
Melhor que jurar que se sairá bem nos novos desafios é
assumi-los, ser pró-ativo, e depois pedir o reconhecimento da empresa.
7.
TEM DE ATUAR NO TIME DOS OUTROS
As estruturas das empresas não são tão verticais quanto antes. Muitas trabalham
por demanda, com estruturas fluidas, e o tamanho das equipes é determinado de
acordo com cada projeto. O profissional, portanto, deve saber trabalhar sozinho
e em equipe, coordenar e ser coordenado. Essa é a mentalidade que impera na
Promon. “Cada funcionário tem de valer por uma equipe inteira, seja na
realização das competências, ou, mais ainda, na capacidade de trabalhar sozinho
ou em equipe”, diz Márcia Fernandes, diretora de relações humanas da companhia.
8.
É PRECISO TER PAIXÃO PELA MARCA
Trata-se de algo mais difícil que o velho “vestir a camisa da empresa”, que
podia ser feito com mera obediência cega a ordens. Agora, companhias como
Embraer, Google e Coca-Cola esperam que seus funcionários assimilem sua
filosofia de trabalho. “A Coca-Cola está associada a momentos de sonho e
otimismo”, afirma Smith. “Se o funcionário ligar esses sentimentos à empresa, o
resultado será um trabalho feito com paixão e qualidade.” A Embraer procura o
mesmo nível de envolvimento. “Queremos pessoas com aderência a nossos valores,
como a inovação constante e a visão de longo prazo”, diz Eunice Batista,
diretora de RH da companhia.
9.
ENCONTRE SENTIDO NO TRABALHO
Pela nova cartilha das empresas, um funcionário que não vê sentido no que faz
dificilmente entregará o resultado esperado. Suely Agostinho, da Caterpillar,
diz que os funcionários acreditam que contribuem com um projeto maior. “Por
isso, eles sabem que o trabalho de cada um é fundamental para que o todo
prospere.”
10.
QUALQUER QUE SEJA SEU CARGO, SEJA UM LÍDER
“Esperamos que todos os nossos funcionários sejam
líderes, mesmo os estagiários”, diz Milton Pereira, da Serasa Experian. Para ele, um líder tem três características:
conhece a estrutura e os processos da empresa; atua como educador, ao orientar
e ouvir as pessoas; e mostra capacidade de transformar.
Thiago Cid
Época - 24/08/2009
http://clippingmp.planejamento.gov.br/