Proteja seu dinheiro
Neste momento de
instabilidade financeira, os especialistas aconselham calma aos investidores.
O cenário não é propício para migrações entre aplicações ou para apostas em
fundos de longo prazo
As perdas de rendimento
nas aplicações financeiras no primeiro semestre do ano não devem afugentar os
investidores brasileiros. Pelo menos essa é a orientação de especialistas em
finanças pessoais ouvidos pelo Correio. Segundo eles, os poupadores devem
manter a cautela e não se desesperar, tirando o dinheiro de uma aplicação
para migrar para outra. Até porque a desaceleração é generalizada. De janeiro
a junho deste ano, das sete modalidades de investimento mais demandadas,
nenhuma superou a inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado
(IGP-M). Apenas a renda fixa e o Certificado de Depósito Bancário (CDB)
suplantaram a projeção de analistas para o Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), medida que serve como base para as metas de inflação (leia
quadro).
“O investidor vai precisar
ter paciência. Neste momento, a busca deve ser por perder o menos possível,
porque a inflação está em alta. Nos próximos meses, os investimentos devem
ter rendimentos muito baixos. Não adianta fazer movimentos bruscos, tirar
daqui e colocar lá”, aconselha o administrador de investimentos Fábio
Colombo.
Depois de subir 43,65% em
2007, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de
Valores de São Paulo, evoluiu apenas 1,77% nos primeiros seis meses de 2008.
“A volta da inflação, a alta do petróleo e a crise nos empréstimos
imobiliários de alto risco nos Estados Unidos (subprime)
geraram insegurança nos agentes. Mas o impacto não foi só na bolsa”, afirma
Sandro Baroni, gerente da área técnica da
Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima). Quem tem
ação na bolsa deve manter a calma e não vender ações indiscriminadamente,
aconselha.
Mesmo com o susto, o
engenheiro Marco Túlio Franco, de 27 anos, pretende manter suas aplicações em
ações. Para não perder dinheiro, a solução encontrada foi acompanhar em tempo
integral as oscilações do mercado. Nos últimos dois meses, ele conseguiu
obter lucros de 20%, mas o trabalho é grande. “Saí dos fundos de
investimentos e comecei a operar sozinho para ter liberdade de comprar e
vender quando tivesse oportunidade. Agora, fico o tempo todo na frente do
computador para decidir o que fazer”, conta. Franco conseguiu driblar os
efeitos da inflação sobre seus investimentos, mas não sobre suas despesas. O
aluguel do apartamento em que mora na Octogonal subiu 13% e o condomínio,
11%.
Onde aplicar
Com a perspectiva
de aumento de juros, os fundos DI, atrelados à Selic,
podem ser a melhor opção, segundo os especialistas. No primeiro semestre,
eles renderam 5,19%. Nos próximos meses, com a alta da taxa definida
pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco
Central (BC), devem continuar subindo. Mas o consumidor deve ficar atento às
taxas de administração cobradas pelos bancos. “A primeira opção pode ser um
fundo DI com baixa taxa de administração, abaixo de 2% ao ano, mas se não
encontrar com essa taxa, é melhor ficar com a tradicional
caderneta de poupança”, afirma Colombo.
Outra desvantagem da
modalidade é que, para ser rentável, o fundo DI deve ser de médio prazo e o
investidor deve ficar com o dinheiro parado por pelo menos dois anos, segundo
o especialista em mercado financeiro Victor José Hohl. “Daqui a dois anos pode acontecer muita coisa. Numa
época de instabilidade como agora, dê preferência à liquidez da poupança. O
mercado está muito instável para investimentos a longo prazo”, afirma. Para
decidir onde aplicar, a saída é pesquisar todas as possibilidades, aconselha
o consultor de finanças Marcos Crivelaro. “A pessoa
deve conversar com o gerente do banco e estudar as taxas cobradas. Para ter
segurança, é bom diversificar os investimentos”, diz.
O investidor vai
precisar ter paciência. A busca deve ser por perder o menos possível, porque
a inflação está em alta