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Como saber o momento para entrar e para sair da bolsa?


Neste mês de setembro, completamos um ano do pior momento da crise econômica e financeira que afetou os mercados de todo o mundo. Considerada a maior crise desde 1929, o estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos e todas as suas respectivas consequências desencadearam um sentimento de pânico na grande maioria dos investidores.

No último trimestre de 2008, diante das dúvidas sobre o futuro da maior economia do mundo, o movimento vendedor prevaleceu. A trajetória de queda espalhou-se por todos os mercados. No Brasil, o cenário não foi diferente. Muitos investidores, principalmente pessoas físicas que ingressaram há pouco tempo no mercado, sentiram em poucos meses o peso de uma grande crise financeira mundial.

Após atingir o recorde de 73.500 pontos, o Ibovespa despencou e fechou o ano com perdas de 41,20%, aos 37.550 pontos. Este ano, passados 12 meses do pior momento da crise, o Ibovespa retorna aos 60 mil pontos. Apesar de ainda estarmos longe do máximo de valorização, o principal índice da bolsa paulista acumula no ano uma valorização superior a 60%.

O sobe e desce dos mercados só vem reforçar a antiga recomendação dos grandes investidores: compre na baixa e venda na alta. Aqueles que venderam parte dos ativos quando o Ibovespa superava os 70 mil pontos, ou aqueles que compraram quando o índice estava abaixo do 40 mil, só tiveram a ganhar. A máxima de comprar na baixa e vender na alta continua sendo a grande estratégia.

A análise pode parecer simples agora que passamos pelas maiores turbulências. A dificuldade é conseguir identificar, em meio aos momentos difíceis ou promissores demais, a hora exata de ampliar ou reduzir os investimentos em renda variável. Se o dilema já é grande para investidores profissionais, imagine para um investidor pessoa física.

Para conseguir avaliar estes períodos com maior exatidão, a recomendação é buscar definir os limites de ganho e de perda para as aplicações. Denominadas pelo mercado como "stop gain" e "stop loss", tratam-se de mecanismos que ajudam os investidores a administrarem o retorno de forma mais eficaz.

O primeiro ponto a ser observado pelos investidores é que os limites devem existir tanto para o ganho como para as perdas. Quando o mercado apresenta uma trajetória de alta muito forte, em algum momento os investidores vão querem embolsar os lucros das aplicações. E esse movimento acontece exatamente com a venda dos ativos.

Assim, para cada ação, é sempre recomendável definir a cotação máxima que se deseja. Ao atingir esta cotação, é hora de vender o ativo e embolsar os ganhos obtidos com a valorização do papel. Este mecanismo, chamado de "stop" de ganho (ou "stop gain") pode ser ajustado, conforme o movimento do mercado. Porém, a partir do momento que a cotação supera a marca definida, é preciso ficar atento para, a qualquer mudança de trajetória, emitir uma ordem de venda e não comprometer os lucros alcançados.

O mesmo ocorre com as perdas. Para todos os ativos, é preciso definir o preço mínimo aceitável para manter o papel na carteira. Geralmente, esse valor representa uma perda de 2% a 3% em relação ao preço de compra de uma ação. A perda máxima admissível para manter o capital protegido é de 10%. Ao atingir a cotação mínima aceitável, deve-se emitir uma ordem de venda do ativo.

Se a dúvida é quando entrar no mercado, uma alternativa é acompanhar a cotação dos papéis desejados e definir um preço ideal para a compra do ativo. É possível deixar programada a liberação de uma ordem de compra, por exemplo, quando a cotação atingir um nível considerado promissor.

A presença do investidor pessoal no mercado acionário é crescente. E, com a queda da rentabilidade dos investimentos prefixados, a tendência é aumentar ainda mais. No entanto, esta trajetória precisa vir acompanhada da disseminação de informações sobre o comportamento dos mercados e os mecanismos disponíveis para uma operação mais eficaz. Primeiramente, é preciso ter em mente que investimento em renda variável é de longo prazo. Historicamente, a valorização das ações tende a superar os rendimentos em renda fixa. O importante é ter foco. É preciso saber quanto risco se está disposto a correr e qual o objetivo de valorização. Estas informações são fundamentais para definir os melhores momentos para sair e para entrar do mercado.

Robson Queiroz é diretor-comercial da SLW Corretora de Valores
Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.






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