Mais casas para os brasileiros.
Melhores oportunidades de consumo. Mais obras de infraestrutura.
Por que o Brasil está prestes a dar um salto de qualidade comparável ao do
Plano Real - e o que precisamos fazer para não perder essa oportunidade
No momento em que você lê esta
reportagem, o Brasil já vive um novo marco de sua história econômica. O país,
que no passado recente venceu a hiperinflação, privatizou boa parte do surrado
aparato de estatais e extinguiu o protecionismo exacerbado, começa agora a dar
um novo salto qualitativo na economia. Pela primeira vez desde o Plano Real, a
taxa básica de juro, a Selic, atingiu o patamar de 1
dígito. É o custo do dinheiro mais baixo da história de um país em que já foi
necessário pagar mais de 400 000% ao ano para tomar um empréstimo bancário ou
financiar a compra de um equipamento industrial. As cifras eram uma abstração.
Na prática, por muito tempo, o crédito simplesmente não existiu para os
brasileiros. Não se trata - ainda - de um patamar semelhante ao das economias
desenvolvidas, no qual os juros atualmente são até negativos. Ainda assim, o
cenário que se descortina é inédito. Nunca estivemos tão perto de entrar para o
grupo de países modernos.
Em perspectiva histórica, vê-se que
estão sendo retiradas, uma a uma, todas as anomalias acumuladas ao longo de
décadas. A bola da vez são os juros altos. "O Brasil de hoje é muito
diferente de quando tínhamos inflação alta e contas públicas
desreguladas", diz o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
"Com a queda dos juros, vamos eliminar uma das últimas disfunções da
economia e caminhar para a normalidade."
A frase resume o ânimo dos quase 50
economistas, empresários, analistas de bancos de investimento e membros do
governo ouvidos por EXAME nas últimas quatro semanas. O sentimento geral é de
que, ao diminuir os juros, o Brasil pode fomentar uma expansão nunca vista no
volume de crédito disponível para pessoas e empresas, destravando o crescimento
de segmentos com enorme efeito irradiador na economia. As mudanças serão
particularmente visíveis em quatro áreas - mercado de capitais, setor
imobiliário, infraestrutura e varejo. Alguns números
dão ideia da avenida que se abre para o Brasil. No
mercado imobiliário, provavelmente o setor em que há a maior expectativa com o
novo cenário, mais de 30 milhões de moradias podem vir a ser construídas nos
próximos 20 anos - um ritmo anual cinco vezes superior ao de 2008. "A
gente dorme e acorda pensando em como aproveitar a queda dos juros", diz
Luis Largman, diretor financeiro da construtora Cyrela.
No campo da infraestrutura, os recursos para obras de
estradas, ferrovias, hidrelétricas e portos devem alcançar 90 bilhões de reais
em 2012, depois de ter descido quase a zero em alguns anos da década de 90. Ao
longo dos próximos quatro anos, pelo menos 160 bilhões de dólares a mais devem
ser aplicados na bolsa de valores - capital que em boa parte irá para o caixa
das empresas e lhes dará mais fôlego para investir. Com juros mais baixos, o
volume de crédito disponível deve aumentar na economia como um todo, provocando
acréscimo de até 1 trilhão de reais na oferta de recursos a empresas e pessoas
dentro de três anos. Mais crédito deve levar a mais consumo, o que pode
transformar também o modelo de negócios das redes varejistas e fazer toda a
economia crescer. A consultoria LCA estima que uma redução de 2 pontos no juro
real signifique estímulo adicional de até 1,5 ponto
percentual para o produto interno bruto. "Com o juro real caindo para 5%,
como se espera, o potencial de crescimento da economia brasileira sobe de 4%
para 5,5% ao ano", diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA.
Durante os anos de instabilidade, os
brasileiros se acostumaram com uma sucessão de planos econômicos - e com a
noção de que um único ato do governante de plantão seria capaz de salvar o
país. Aos poucos, tem amadurecido a percepção de que o desenvolvimento é algo
que se constrói a cada dia. No lugar da revolução, uma lenta - e até enfadonha
- evolução, em que cada governo deposita alguns tijolos na construção de um
país mais moderno. Os juros podem ser vistos como uma espécie de termômetro
dessa evolução. Desde o início do Plano Real até o final de 2008, a economia brasileira
conviveu com uma taxa de juro real média de 13% e foi provavelmente a campeã
mundial nesse quesito. Foi um período não apenas de inúmeras crises externas -
mexicana, asiática, russa, argentina - mas de remoção de todo um arcabouço
econômico de um país instável. Bancos estaduais foram fechados. Contas públicas
começaram a ser saneadas. Contratos que embutiam correção monetária foram
refeitos. Toda essa faxina começou a surtir efeito há cerca de dois anos e
meio, quando a curva de juros começou a declinar para o atual patamar.
O que nos aguarda à frente? Para os
mais otimistas, uma transformação comparável à que o país viveu com a conquista
da estabilidade monetária. A nova fase de estímulo econômico, com juros mais
civilizados, facilitará o investimento das empresas na ampliação da produção.
Há também um impacto positivo no custo da trilionária
dívida pública. A consultoria RC, do economista Paulo Rabello de Castro,
calcula que o governo deve economizar 28 bilhões de reais neste ano no
pagamento de juros a seus credores. Com isso, haveria espaço para os juros
caírem ainda mais no país. O Brasil inauguraria uma fase em que boas notícias
no presente reforçam o otimismo e produzem mais boas
notícias no futuro. "Em tese, há condições de entrarmos num ciclo
virtuoso", diz Ilan Goldfajn,
ex-diretor do Banco Central e economista-chefe do Itaú BBA, braço de
investimentos do Itaú Unibanco.
Como tudo na vida, o bom momento
pode ser aproveitado - ou não. "Ainda precisamos desatar alguns nós, senão
a inflação pode voltar", diz Goldfajn. Um dos
nós mais importantes é o da poupança, que tem remuneração em torno de 8%. Como
não cobra taxa de administração nem imposto de renda, a poupança já é mais
atraente que alguns fundos de investimento. O governo anunciou que fará
mudanças - ainda não definidas - nas regras da poupança, numa tentativa de
evitar que os recursos dos fundos, com rendimento cada vez menor, migrem para a
caderneta. Além disso, o próprio governo precisa gastar melhor e reduzir
impostos. "Os juros de hoje são resultado de uma longa trajetória de
controle da inflação e das contas públicas", diz Armínio
Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos. "Não
há garantia de que eles serão baixos sempre. Basta afrouxar os controles e tudo
pode se perder." É por isso que uma queda para um padrão realmente
civilizado de juros - digamos 3% em termos reais - ainda depende de uma série
de mudanças, como reformas tributária e da
Previdência, diminuição do tamanho do Estado e remoção de incertezas jurídicas
e regulatórias.
Enquanto isso tudo não vem, os
brasileiros ao menos podem aproveitar os efeitos dos cortes já ocorridos na Selic. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil
reduziram taxas, aumentaram limites de crédito a correntistas e ampliaram
prazos para financiamento imobiliário. Os bancos privados seguiram o movimento.
No caso de empréstimos para a compra de carros, passaram a oferecer até 80
meses, voltando aos padrões pré-crise. Os fundos de pensão estão recalculando
suas metas para um cenário em que não podem mais contar com o rendimento alto e
sem risco dos títulos públicos. "Com o final dos ganhos fáceis dos juros,
empresas, bancos e o governo terão de buscar mais produtividade", diz o
ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. "Teremos de compensar a redução
das taxas com o aumento no volume de operações, e isso exige uma nova
mentalidade", diz Aldemir Bendini, presidente do
Banco do Brasil.
É o que esperam os executivos do
setor imobiliário, provavelmente o mais sensível à redução dos juros, por ser
totalmente dependente de financiamentos. É também o ramo da economia em que há
mais demanda reprimida por escassez de crédito. Com todo o crescimento
econômico dos últimos dois anos, o crédito habitacional chegou a apenas 3% do
PIB no ano passado - quase nada em comparação com o índice de 111% do PIB da
Holanda ou mesmo os 13% do PIB no Chile. Economistas da Fundação Getulio Vargas
estimam que, com os juros básicos caindo gradualmente a 7,5% em termos nominais
em 2017 e considerando um crescimento do PIB de 4% ao ano, o país pode ganhar
37 milhões de novas moradias até 2030. Isso permitiria zerar o déficit
calculado em quase 8 milhões de unidades habitacionais e acompanhar o
crescimento da população. Segundo o estudo da FGV, o grosso da produção deve
atender as classes C, D e E: 56% das novas moradias
serão destinadas a famílias com renda mensal de 2 000 a 4 000 reais e 37% à
população com renda de até 2 000 reais.
Com base nesse tipo de projeção, e
diante da oportunidade representada pelo novo programa do governo, o Minha Casa, Minha Vida, as construtoras criaram
estratégias para a baixa renda. No ano passado, a Gafisa comprou a Tenda, especializada
em imóveis populares. Recentemente, a Cyrela criou
uma divisão só para tratar do assunto, a Living. Na Rossi, o volume de
lançamentos de apartamentos de até 130 000 reais deve chegar à metade do total
de imóveis deste ano. Em 2008,
a proporção foi de 29%, e há dois anos era de apenas
13%. "Os efeitos da queda dos juros já estão acontecendo. Estamos
observando com atenção se eles serão graduais ou poderão ser acelerados",
diz Cássio Audi, diretor de finanças da Rossi. Outro reflexo positivo da Selic mais baixa é o aumento da demanda por imóveis
comerciais. Como os aluguéis desses imóveis são equivalentes a um rendimento
entre 9% e 15% ao ano sobre o patrimônio, passam a ser vistos como bom
investimento, alimentando os planos das construtoras. "Temos sido muito
procurados por empresas interessadas em construir torres de escritórios junto a
nossos shoppings", diz Carlos Medeiros, principal executivo da BRMalls, a maior construtora do
setor no país.
Em outros setores em que os juros
altos sempre inibiram investimentos, o efeito da queda da Selic
também é significativo. O mais evidente é o mercado de capitais. "Não é
preciso recorrer à futurologia para enxergar os benefícios. Basta ver o que
ocorreu entre 2005 e 2008, quando a Selic passou de
19,75% para 11,25% ao ano", diz Pedro Martins, estrategista para a América
Latina do Banc of
America-Merrill Lynch. Nesse período, o volume de negócios na Bovespa triplicou
e as empresas passaram a acessar, de fato, o mercado de dívida no Brasil. Nas
últimas semanas, multiplicaram-se as projeções desse novo cenário - "um
admirável mundo novo", segundo documento distribuído aos clientes da Itaú
Corretora no início de junho. A maioria dos bancos prevê que ao final de 2009 a taxa de juro básica
estará em 9% - alguns estimam que chegará ao final do
ano que vem a 8,75%. Com esse cenário, os fundos de investimento e de pensão
deverão mais que dobrar o dinheiro aplicado na bolsa, injetando 160 bilhões de
dólares no mercado até 2013. Essa conta não considera o dinheiro de instituições
estrangeiras nem o que 500 000 novos investidores individuais no país poderão
aplicar. O novo contingente fará dobrar o número de pessoas físicas que
investem na bolsa. "Estamos nos preparando para atender a mais essa leva
de investidores", diz Álvaro Bandeira, economista-chefe da Ágora,
corretora que já tem cadastrados 90 000 investidores individuais.
Todo esse apetite deve incrementar o
mercado de títulos privados, sejam eles de dívida (debêntures) ou de créditos a
receber (securitização). "Em vez de ter de ir ao exterior para captar
dinheiro mais barato e com prazos mais longos, as empresas passam a se
financiar aqui", diz o economista Carlos Antonio Rocca,
diretor do Centro de Estudos de Mercado de Capitais. Isso já vinha ocorrendo em
2008, quando as companhias brasileiras lançaram quase 70 bilhões de reais em
títulos no país - e somente 10 bilhões de reais no exterior. A operadora de
telefonia Oi foi uma das que optaram pela oferta local. Em abril, a empresa fez
sua maior emissão de debêntures no país: captou 2,6 bilhões de reais vendendo
títulos atrelados à variação dos juros de mercado para pagar a aquisição da
Brasil Telecom e investir na ampliação da rede. Hoje, os papéis remuneram o
investidor em 12% ao ano. "Como a perspectiva é de queda da Selic, a remuneração deve diminuir e ficar próxima dos 9,5%
ao ano, que é o que pagamos no mercado externo. Mas, aqui, vamos pagar em real,
e não em dólar", diz Tarso Rebello, diretor de tesouraria da Oi. Segundo
ele, há dois anos a empresa teria de oferecer um retorno de 15% ao ano para
fazer uma captação como essa.
A nova dinâmica da economia pode
ajudar a revigorar também os investimentos em infraestrutura.
Durante a década de 90 e o início dos anos 2000, os
investimentos no setor mantiveram-se muito baixos. Só nos últimos seis anos
voltaram a subir, ainda assim timidamente. É que os investidores estão sempre
comparando diferentes retornos ao capital. Se há uma aplicação segura com bom
rendimento, como os títulos do governo, muitas obras simplesmente não saem da
gaveta. Um exemplo foi o que aconteceu com os fundos de investimento em infraestrutura, que começaram a ser criados em 2006.
Segundo estimativa da Abdib, associação de empresas
do setor, os seis maiores fundos desse tipo já reúnem 3,4 bilhões de reais, mas
só metade disso foi efetivamente aplicada em projetos. Com
retorno médio de 7% a 10% ao ano, obras como rodovias, ferrovias e portos não
atendiam ao rendimento esperado pelos investidores, de 12% a 14% anuais. A
exigência de retorno alto, além de superar a Selic,
visava compensar o risco regulatório.
Com o novo cenário, a mesma
expectativa de rentabilidade se torna competitiva. Agora, projetos de
logística, energia e obras urbanas são apontados como os que poderão dar ao
investidor remuneração melhor que a da Selic. Para o
professor de logística Paulo Resende, da Fundação Dom
Cabral, as primeiras a ganhar são as concessionárias de rodovias. É o caso da
CCR, uma das primeiras a entrar no mercado. Em 1995, a empresa ganhou a
concessão da Nova Dutra, estrada que liga o Rio de Janeiro a São Paulo. Nas
condições em que foi licitada, a rodovia não proporcionava retorno acima da
taxa de juro, então em 55% ao ano. Foram necessários dez anos para que a CCR
visse seu investimento se tornar rentável. O horizonte das novas concessões é
bem mais atraente. No ano passado, a empresa ganhou a licitação para operar o
trecho oeste do rodoanel paulista e agora prevê retorno de 11,25% ao ano.
"Quando entro numa concessão, faço uma aposta na estabilidade do país. Por
isso, a queda dos juros e da inflação é o melhor dos mundos para nós", diz
Renato Valle, presidente da CCR.
Quem ainda está um pouco distante de
sentir mais profundamente o impacto da queda dos juros são as redes de varejo.
De forma genérica, elas se limitam a esperar um aumento nas vendas. Mas a
mudança que poderia provocar um boom de consumo - a queda das taxas finais ao
consumidor - é ainda difícil de vislumbrar. "O estímulo virá aos poucos, à
medida que o consumidor assimilar o significado dos juros menores para suas
finanças e pressionar por eles", diz Fábio Pina, economista-chefe da
Federação do Comércio de São Paulo. "A redução dos juros na ponta do
consumo é uma luta intestina, que vai levar tempo, talvez mais uma
década." Um cálculo feito pela Fecomércio indica
que, só de spread, pessoas e empresas no país pagaram 130 bilhões de reais no
ano passado. Se o spread for reduzido em 25%, serão liberados 30 bilhões para o
consumidor.
Por ora, os grandes varejistas estão
avaliando como sustentar os lucros num cenário de juros menores. Uma das
providências é aumentar o giro dos estoques. Outra é uma administração
financeira mais acurada. Não há consenso sobre o melhor meio de fazer isso. Uma
alternativa é a montagem de bancos pelo varejo. A Lojas
Renner anunciou em novembro a intenção de abrir o próprio banco. Os
resultados do Carrefour mostram que essa estratégia pode fazer sentido. O lucro
do Banco Carrefour, criado para centralizar os serviços financeiros da rede,
cresceu de 66 milhões de reais em 2007 para 157 milhões no ano passado. Nesse
período, o Carrefour passou a oferecer cartões de crédito Visa e cinco novas
modalidades de seguro. Por outro lado, muitas redes brasileiras estão fazendo
parceria com bancos. É o caso da Casas Bahia, associada ao Bradesco, e do
Magazine Luiza, ao Itaú Unibanco. A última a adotar essa solução foi a C&A, que acaba de vender o banco Ibi
ao Bradesco. De acordo com José Dutra Vieira Sobrinho, professor da Faculdade
de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, o modelo de negócios
fará pouca diferença para o consumidor. Para ele, mais importantes são o
aumento da competição e uma mudança cultural nos hábitos de compra dos
brasileiros, em sua maioria resignados a pagar qualquer prestação que caiba em
seu bolso. "No varejo em geral, os consumidores aceitam juros de até 60%
ao ano e as empresas não sofrem pressão para cortar taxas", diz Vieira
Sobrinho. "Já o financiamento de veículos tem os menores juros porque o
setor é competitivo, e o consumidor, exigente."
A situação do varejo deixa claro
que, para que o Brasil realmente se firme num patamar considerado normal - com
taxas de juro real na casa de 2% a 4% ao ano, como os praticados no México e no
Chile -, será preciso remover o entulho deixado pelos tempos de inflação alta e
adotar medidas efetivas para diminuir os spreads. "Acho difícil termos
juros iguais aos do México com a carga tributária aqui de 36% do PIB, enquanto
lá eles arcam com 25% do PIB", afirma o economista Samuel Pessoa, da
Fundação Getulio Vargas. "Mas, se sairmos da crise com uma média de juros
de 1,5 ponto percentual abaixo da anterior, isso
ajudará os investimentos." Há, portanto, uma mudança de qualidade na
situação a ser enfrentada."Os problemas que temos agora são bons",
diz o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, sócio da Rio Bravo
Investimentos. "Porém colocam o país frente à necessidade de uma agenda
mais objetiva sobre o rumo a tomar. Isso claramente não existe hoje." A
tarefa não é simples. Provavelmente é coisa para uma geração. Mas ela poderá
alçar - afinal - o Brasil ao grupo de nações desenvolvidas. E essa oportunidade
é algo que não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar.
Revista EXAME
Por Malu Gaspar
http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0945/economia/vamos-ganhar-juro-baixo-476588.html