Remuneração dos executivos sobe mais que a inflação em 2008
O salário base dos CEOs das
empresas no Brasil aumentou 4,4% e o total em dinheiro (salário base+bônus)
chega a ser 9,8% maior que no ano passado. O mesmo acontece com os demais
executivos: 5,9% de aumento no salário base e 8,6% no total
em dinheiro. Isso é o que revela o Top Exec
2008, estudo realizado pela consultoria de gestão de negócios Hay Group com 2.514 executivos,
de 227 diferentes empresas em seis macrossetores.
Veja abaixo outros resultados:
Incentivos
A pesquisa revela que, na
média, os Incentivos de Curto Prazo pagos em 2008 cresceram 17,5% em relação a
2007. 100% das companhias oferecem Incentivos de Curto Prazo (ICP): 89% delas
sob a forma de participação nos lucros (PLR), 71% por bônus, 60% fazem uma
composição desses dois veículos e 7% utilizam outras formas.
Em 47% das empresas
entrevistadas existe uma definição a partir da qual um percentual de
atingimento das metas garante o pagamento do mínimo. Em 26% das empresas este
percentual mínimo varia de 75% a 90% do atingimento das metas. Por outro lado,
56% das empresas estabelecem um teto, ou seja, existe um percentual limite
considerado para a definição do valor máximo do plano de ICP.
Em 38% do mercado este
percentual corresponde a 120%. Além disso, 37% das companhias pesquisadas fazem
o pagamento para resultados positivos individuais e/ou da área mesmo quando os
resultados globais/regionais da empresa não são
atingidos. Para os CEOS, os ICPs aumentaram mais de
40% de 2007 para 2008.
Das empresas ouvidas, 76
delas possuem planos de Incentivos de Longo Prazo (ILP), um aumento de 23% em
relação ao estudo de 2007, sendo que 2/3 das empresas que concedem ILP são de
capital estrangeiro. Da amostra total, 34% dos executivos são elegíveis a este
tipo de programa.
“Há no mercado uma
tendência de crescimento dessa prática em função do número de empresas que
abriram capital nos últimos anos ou estão estudando esta possibilidade”, afirma
Cláudio Costa,
diretor do Hay Group.
“Neste cenário, a utilização de ferramentas de remuneração de longo prazo se
mostra um caminho natural como forma de garantir o alinhamento e a permanência
dos executivos no médio e longo prazo.”
Daquelas que possuem
programa de ILP, 66% adotam um único programa e as demais (34%) utilizam até
três diferentes modelos para composição deste incentivo. O programa mais
utilizado é o stock option, com 58% de adoção.
Analisando as informações
das companhias multinacionais e nacionais separadamente, é possível verificar,
na mediana, que as nacionais praticam Incentivos de Longo Prazo 10% menores que
as empresas multinacionais para CEO/Presidentes. Já para o nível de
Vice-Presidente/Diretoria, não há diferença. E Costa ressalta: “Aquelas de
capital aberto praticam Incentivos de Longo Prazo de 5 a 10 pontos percentuais acima
das empresas de capital fechado.”
Políticas e Práticas de
Gestão
Segundo os resultados da
pesquisa, 100% das empresas possuem uma estrutura salarial formal para os
níveis executivos e apenas 5% dessas empresas não incluem o primeiro executivo
nesta estrutura. Além disso, 90% delas fazem uma revisão anual nessa estrutura.
“Os critérios para definir as faixas salariais são 92% de acordo com o mercado
e 20% por meio de acordos coletivos” afirma Costa.
Do total pesquisado, 44%
das companhias informam aos executivos o ponto mínimo e máximo de sua faixa
salarial, bem como sua posição relativa nesta faixa. “O grau de transparência
nas empresas com capital estrangeiro (46%) é maior quando comparado às
organizações brasileiras (28%)”.
92% das empresas utilizam
tabela salarial única para os níveis executivos, com abrangência nacional.
Diferentemente do nível operacional, no qual a prática de tabela salarial
regional é predominante, no nível executivo a competitividade é estabelecida em
bases nacionais – lei da oferta e da procura. E 95% das organizações utilizam o
desempenho individual como principal critério para os aumentos salariais
individuais.
Governança corporativa
Entre as empresas
pesquisadas, é possível observar que: 74 (41%) possuem um Conselho de
Administração; 41 (23%) possuem um Conselho Fiscal; 22 (12%) possuem um Comitê
de Recursos Humanos e/ou Remuneração; e 20 (11%) possuem um Comitê de Auditoria.Dessas companhias, 89% remuneram os membros dos
conselhos.
O crescimento médio da
remuneração dos conselheiros de administração, considerando somente as empresas
que estão tanto na base de dados de 2007 quanto de 2008, foi de 4,1%.
Considerando a base geral de dados, a evolução salarial dos conselheiros nos
últimos cinco anos foi superior a 50%.
Sobre o Conselho Fiscal,
15% das empresas do estudo praticam o pagamento de remuneração variável para os
seus conselheiros.
Segundo Costa, apenas 3%
das empresas praticam a concessão de planos de Incentivos de Longo Prazo para
os conselheiros. “Assim como no Brasil, na Europa este item é pouco comum no
pacote de remuneração dos conselheiros, enquanto que nos EUA 88% das companhias
concedem algum tipo de incentivo de longo prazo aos conselheiros”.
A pesquisa avaliou ainda a
adequação à Lei Sabarnes-Oxley e revelou que 59% das
empresas estão trabalhando para se adequar à ela e o
grau de adaptação é integral em 59% delas. Já 52% delas dizem que já se
adequaram às seções 302 e 404 da lei.
http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/ - 04-09-2008