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Taxa cobrada em fundos vem caindo, afirmam bancos

A Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) divulgou ontem um levantamento segundo o qual a taxa média de administração dos fundos brasileiros de varejo vem caindo nos últimos anos. A entidade também mostrou dados que apontam que as taxas cobradas no Brasil são menores do que a média mundial.

Com a queda do juro básico (Selic) para o menor nível da história, as instituições financeiras têm sido pressionadas a reduzir essas taxas para aumentar a competitividade dos fundos diante de outros produtos, como a caderneta de poupança.

Outro efeito do juro mais baixo se dá sobre a rentabilidade líquida dos fundos, em especial os que acompanham a evolução da Selic (renda fixa e DI). Um exemplo prático deixa a questão clara: uma taxa de administração de 3% "come" quase um terço do rendimento quando a Selic está na casa de 9%, como hoje. É bem diferente de momentos em que a Selic era, por exemplo, superior a 15%.

O vice-presidente da Anbid, Alexandre Zákia, negou que o anúncio dos bancos esteja relacionado a uma eventual migração de investidores para a poupança. "A indústria de fundos é muito resiliente no Brasil, só perdeu recursos quando houve arbitrariedades (como os Planos Cruzado e Collor) ou durante crises violentas", afirmou.

Para fazer o levantamento, os técnicos da Anbid separaram os fundos de varejo, que respondem por 21% do patrimônio do setor, de R$ 1,24 trilhão no fim de junho.

Nesse corte, o resultado mostra que a taxa média de administração dos fundos DI (cuja carteira é composta por títulos públicos pós-fixados) saiu de 1,82% em 2004 para 1,49% no fim de maio deste ano.

No caso dos fundos de renda fixa (que têm juros prefixados), a evolução no período foi de 1,61% para 1,13%. Em ações, a queda foi de 2,58% para 2,27%. Os fundos multimercados (que mesclam juros, ações e moeda) foram exceção: a taxa média avançou de 1,38% para 1,72%.

Para fazer a comparação com o resto do mundo, Zákia usou dados de um estudo da Morning Star, empresa especializada em pesquisa na área de investimentos.

Segundo o levantamento, que considera a indústria total (diferente, portanto, do estudo da Anbid, que fez o corte no varejo), a taxa média dos fundos de renda fixa oscila de 0,76% a 1% ao ano no mundo. No Brasil, a média é de 0,80%. "Estamos mais próximos do piso do que do teto", disse Zákia.

No caso dos fundos de ações, o Brasil, segundo o vice-presidente da Anbid, está abaixo da média - a taxa é de 1,33%, ante um intervalo de 1,50% a 1,99% no mundo.

Na apresentação dos dados aos jornalistas, Zákia frisou que a maioria dos fundos DI e de renda fixa voltados ao varejo no País tem taxa de administração inferior a 2% ao ano. Pelos dados da Anbid, só 7,7% dos fundos de renda fixa têm taxa acima desse nível. Nos DIs, são 22,6%.

Leandro Modé
O Estado de S.Paulo





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